Nada além do que já se sabe aflorará da CPI da crise aérea, que acaba de ser determinada pelo Supremo Tribunal Federal após julgar ação das oposições na Câmara pedindo essa providência. O sentido dessa comissão parlamentar de inquérito é investigar as causas e responsabilidades pelo caos no controle do tráfego aéreo do País, que tem retardado vôos e gerado tumulto nos aeroportos, com prejuízos sem conta. Essa CPI terá 13 titulares e 13 suplentes, com 6 meses para apresentar suas conclusões. Esse trabalho consumirá tempo precioso dos parlamentares - necessário para discussão de temas mais importantes e urgentes - e deverá ocupar as atenções dos Parlamentos em Brasília até o final do ano.
No fim das contas o resultado das ''investigações'' será o mesmo que se conhece hoje, sem acrescentar nada de novo. Porque o que existe é o sucateamento da infra-estrutura aeroportuária, como é sucateado todo o sistema de transportes no Brasil: rodovias, ferrovias, portos, hidrovias. Já foi divulgado oficialmente que para melhorar as condições técnicas dos aeroportos brasileiros serão necessários R$ 7 bilhões, até o final deste Governo, e a previsão é que se poderá contar com apenas metade, significando que também o problema será solucionado nessa proporção. Isto se houver empenho governamental, porque neste país pouco se faz mesmo havendo recursos, pois verbas específicas são destinadas a outros fins, não sendo necessário dizer que entre eles estão os abusos da gastança pública.
Ainda ontem este Jornal publicava afirmação do presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias, José Alberto Ribeiro, de que depois que se iniciou a cobrança da CIDE - tributo aplicado sobre os combustíveis para a conservação de rodovias - foram arrecadados R$ 36 bilhões, mas R$ 22 bilhões desse montante foram desviados para outros destinos. A CPI que ora se instala será mais uma inutilidade, tendo-se como exemplo as tantas outras, que resultaram em nada ou quase nada.
Seria preciso, então, instalar CPIs - se é que elas resolvessem - para saber por que a receita quase total da CIDE toma rumos diferentes; por que as rodovias estão em precaríssimas condições; por que as ferrovias estão sucateadas, gerando descarrilamentos constantes; por que os portos estão longe da eficiência, e assim por diante. Certo é que - e isto é um fator positivo - o transporte aéreo intensificou-se, com o aumento do número de vôos, mas a infra-estrutura aeroportuária não está dando conta do recado. Se as estações aeroviárias são luxuosas, mais parecendo shopping centers, a estrutura técnica operacional é insuficiente. Não será preciso CPI para constatar-se o óbvio: o sistema está esgotado, como quase tudo no Brasil.

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