CPI aponta ligação com Caso Donha
Dois dos nomes que apareceram no inquérito que investigava a morte do empresário Miguel Siqueira Donha, 51, no dia 22 de janeiro de 2000, foram repetidos pela testemunha entrevistada esta semana pela reportagem da Folha. O funcionário público Antonio Martins Vidal, conhecido como Tico e o ex-policial militar Alzenir de Barros, irmão do prefeito Cezar Manfron.
Miguel Donha era diretor da Corretora Banestado e presidente do diretório municipal do PPS em Almirante Tamandaré. Ele e a mulher, Iara Donha, foram sequestrados na frente da chácara do casal na madrugada do dia 22 por dois homens armados. Os dois foram obrigados a entrar dentro do carro e seguir com eles em direção a Itaperuçu. No caminho, eles fizeram duas ligações de telefones públicos. Iara Donha foi deixada no meio do caminho. Donha saiu do carro em Itaperuçu e levou um tiro na perna. Ele morreu por hemorragia.
A polícia descobriu que os telefonemas foram dados para a casa de Tico e sua mulher, Tereza da Silva, 34. Os dois foram presos acusados de terem encomendado um assalto. No dia 14 de fevereiro, Edson Farias se apresentou e contou que foi contratado para dar um susto em Miguel Donha. Ele teria sido contratado por Tico por R$ 300,00 e um emprego na Prefeitura de Almirante Tamandaré. Para Farias, o patrão de Tico seria Alzenir de Barros.
A delegada Delair Manfron, que era comandante da unidade de Almirante Tamandaré, confirmou a amizade entre Tico e Alzenir, seu sobrinho. Tico tinha passagem pela polícia por homicídio. No lugar de Delair Manfron assumiu o cargo o delegado Rogério Haisi.
Apesar dos indícios de crime cometido por encomenda, o inquérito concluiu que houve sequestro e lesão corporal seguida de morte e furto. As investigações não conseguiram sustentar a prisão de Tico. Farias ficou preso até o dia 30 de julho quando fugiu da Delegacia de Rio Branco do Sul. Hoje, nenhum dos acusados do crime está preso.
Iara Donha tem medo de dar entrevistas. Ela confirmou que foi ameaçada. Mãe de dois filhos, prefere se calar. Queria Justiça, mas não acredito mais na Justiça, nem na polícia, disse. Ela lembrou que o inquérito das mulheres desaparecidas está sendo feito pelos mesmos delegados que investigaram o caso Donha. O inquérito do meu marido não relatou a verdade. Não confio nesta gente.
O vereador Luiz Piva (PT), relator da CPI que investigou as mortes de mulheres em Almirante Tamandaré, relacionou os dois casos. De acordo com ele, muita gente é executada no município. A primeira vez em que se falou do crime organizado agindo na região foi na morte de Donha. Acho que é provável que todos estes crimes tenham relação, afirmou.





