A bola é a grande aliada de um craque quando os pés e o talento do menino, desses que vivem como tantos outros numa instituição de caridade, a tratam com a altivez de um rei dominando o seu império.
E num dia qualquer da semana, ele virou Pelé, o melhor de todos, nas embaixadas de toque sútil. Incorporou Rivaldo, escorando no peito; driblou feito Denilson, meio dançando diante de um adversário invisível.
Bola nos pés, fez sombra ao potencial dos craques já reconhecidos. E percebeu-se refletido no chão, saltitando ao som do couro da pele batendo no couro da redondinha, que de tão perfeita permitia ao menino domínio absoluto.
Ou não? Naquele momento de magia, ninguém ao redor se arriscou a um passe, trocando de improviso a bola de couro já desgastado por outra de plástico ou até pano. Mas houve, com certeza, quem imaginou: ele faria o mesmo com uma bola de borracha, daquelas pesadas e sem pique.
Talento de craque que ainda não veste a amarelinha da seleção, mas já se deixa dominar pelo sonho de um dia deixar a entidade onde recebe amparo hoje, para correr por gramados do mundo. Chutando, cabeceando, matando no peito. Defendendo com os pés o seu país.

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