Cotação do petróleo nos EUA é a maior desde setembro
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segunda-feira, 01 de abril de 2002
Agência Estado 
Nova York - O aumento da violência entre israelenses e palestinos e o temor de que o conflito se estenda para outros países do Oriente Médio fizeram o preço do petróleo disparar ontem, passando dos US$ 27 o barril pela primeira vez desde 21 de setembro, quando o mercado reagia com nervosismo aos atentados de 11 de setembro. Na Bolsa Mercantil de Nova York, os contratos para maio fecharam em US$ 26,85, alta de US$ 0,54 (2%) em relação à cotação da última quinta-feira. A máxima do pregão foi de US$ 27,40 e a mínima, US$ 26,66. O mercado de Londres não funcionou por causa dos feriados de Páscoa.
Os preços do petróleo subiram mais de 50% desde meados de janeiro, à medida que a economia dos Estados Unidos mostra sinais de recuperação e os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) iniciaram o corte na produção.
A analista de petróleo para América Latina do Banco Salomon Smith Barney, Patricia Bueno-Kearns, acredita que os preços do petróleo vão embutir o ágio de guerra enquanto persistirem a tensão e o aumento da violência no conflito entre israelenses e palestinos.
Segundo ela, ainda não se observou uma recuperação firme da demanda por petróleo, como uma parcela do mercado esperava devido à melhor expectativa de recuperação da economia americana. Os estoques estão caindo, o que é positivo, mas ainda não se viu uma recuperação consistente da demanda. Portanto, esta alta no petróleo é provocada mais pela crise no Oriente Médio, explicou.
Patricia ressaltou que, além da crise na Palestina, o ágio de guerra embutido nos preços do petróleo também é consequência do potencial ataque dos EUA ao Iraque como parte da campanha contra o terrorismo. A avaliação de muitos é que o agravamento no conflito entre israelenses e palestinos acabou adiando um possível ataque contra o Iraque. Mas o mercado ainda está em alerta em relação a uma ofensiva americana, mantendo um prêmio de guerra nos preços do petróleo, afirmou.
A analista disse que sua estimativa para o preço do petróleo até o final do ano vai depender muito do desenrolar da crise no Oriente Médio e da posição militar dos EUA contra o Iraque. Mas no segundo semestre, com uma recuperação da economia americana mostrando maior vigor, um aumento na demanda por petróleo também pesará.
No Brasil, o grande temor é de que um aumento no preço dos combustíveis leve a um revisão das metas inflacionárias do Banco Central e influa nas taxas de juros.
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