O corte de R$ 44 bilhões no Orçamento Geral da União para 2014, anunciado ontem pela equipe econômica da presidente Dilma Rousseff (PT) vai atingir de maneira importante o orçamento de segurança do Brasil, mas não mexe nos gastos para proteger a Copa do Mundo. Preocupado com possíveis manifestações de ruas nas imediações dos estádios, as despesas para a segurança do maior torneio de futebol do mundo ficam preservadas.
O corte representa um esforço na tentativa de equilibrar as contas da União, visando cumprir a meta do superavit primário estipulado em R$ 99 bilhões. Como superavit primário entenda-se a economia que os municípios, estados e o governo federal fazem depois de considerar todas as suas despesas, com exceção do pagamento de juros da dívida. Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) disseram que o governo reduziu a previsão de crescimento da economia de 3,8% para 2,5% em 2014.
Dos R$ 44 bilhões a serem cortados, serão R$ 13,5 bilhões de despesas obrigatórias e R$ 30,5 bilhões de despesas não obrigatórias. Como era de se esperar em ano eleitoral, a área de Desenvolvimento Social (R$ 31,7 bilhões) foi preservada, assim como Saúde (R$ 82,6 bilhões) e Educação (R$ 42,3 bilhões). Mas a redução vai atingir o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e emendas parlamentares.
Com esse corte, Dilma pretende diminuir a desconfiança em torno da economia brasileira e tentar evitar uma avaliação negativa do País por parte das agências de avaliação de risco. É preciso reconhecer que o governo federal se preocupou, mesmo que de maneira tímida, em reduzir os gastos públicas. Mas será preciso esperar alguns meses para saber quais as consequências que essa medida terá.
No dia em que os ministros anunciavam cortes no orçamento, a presidente partia em viagem para Roma para assistir à posse do novo cardeal do Brasil, dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. A cerimônia é importante para o grande número de católicos que vivem aqui. Mas ainda é fresco na memória dos brasileiros os gastos ‘’nada econômicos’’ (cerca de R$ 324 mil) da comitiva que Dilma levou à Itália, ano passado, para a posse do Papa Francisco.

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