Ao anunciar o corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, para 11,5%, o Banco Central (BC) agiu conforme já havia sinalizado na ata da reunião do mês passado. Considerada moderada para uns e ousada para outros, o Comitê de Política Monetária leva em conta vários fatores - como produção industrial, redução da taxa de crescimento da economia, níveis de emprego e inflação acima da meta - para estabelecer o índice. A taxa Selic serve como referência para os bancos fixarem o custo de empréstimos no País.
Desde a reunião anterior, realizada em setembro, o cenário externo se agravou. A zona do euro enfrenta grave crise econômica, o que dificulta até mesmo um acordo entre os principais líderes do continente sobre um pacote de medidas que tentaria resolver os problemas da Grécia e do restante da região. Agravada a crise grega, sobraria respingos para a Itália e Espanha e, neste caso, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira não teria recursos para proteger a economia destes dois países, levando definitivamente toda a Europa à recessão.
Aqui no Brasil, ao que tudo indica, a decisão do BC até então tem se mantido correta. A crise nos países desenvolvidos já respinga nos países em desenvolvimento. A produção industrial nacional perdeu fôlego em função das medidas para conter a inflação e por causa do aumento das importações (favorecida pela apreciação do real frente ao dólar), atingindo a economia; o índice de crescimento do País foi rebaixado para 3,5% neste ano, abaixo do projetado inicialmente; e embora o mercado de trabalho já apresente sinais de desaquecimento, a taxa de emprego está em seu menor nível histórico, o que estimula o consumo e eleva os temores sobre a inflação. Além disso, a inflação está na casa dos 7%, bem acima do limite da meta oficial estabelecida em 6,5%. A projeção é a de que a crise externa vai contribuir para a redução dessa taxa.
A partir das medidas anunciadas, a expectativa do BC é que a inflação começará a cair já a partir deste mês. Cenário difícil de prever se considerarmos que tradicionalmente no último trimestre do ano o consumo aumenta, favorecido pela entrada do 13º salário e pela elevação do grau de otimismo dos consumidores.
No entanto, todo corte na taxa Selic é positivo. Ainda fixada em 11,5% ao mês, o Brasil continua com um dos mais altos índices do mundo, o que não pode ser saudável para nenhuma economia. O Brasil tem atravessado bem este período de crise, mas o foco deve continuar sendo o crescimento do Produto Interno Bruto.

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