O corte na taxa básica de juros, a Selic, anunciada nesta semana pelo Banco Central (BC) surpreendeu o mercado. Em época de crise financeira internacional, inflação em alta e oferta de crédito elevada, a ação de reduzir os juros de 12,5% para 12% ao mês foi avaliada como pouco ortodoxa. Embora tenha sido alvo de críticas de economistas, a ação foi aprovada pelo setor produtivo que, há muito, pedia a ação. No entanto, há unanimidade de que a inflação deve ficar sob controle. A meta para este ano é de 4,5%, com variação máxima de dois pontos para mais ou para menos, mas especulações do próprio mercado indicam que o índice pode chegar a 7%.
Essa medida era esperada para o final do ano. No entanto, foi motivada pela piora da crise financeira e de indicadores que apontam para a desaceleração da atividade interna. Outro dado é que o BC deverá reduzir de 4% para 3,5% a previsão de crescimento da economia neste ano. Segundo o órgão, a queda deverá suavizar as pressões inflacionárias. Não é o que acreditam os economistas, que temem crescimento baixo com cenário de inflação elevada.
No entanto, os consumidores pouco sentirão agora os efeitos do corte dos juros. Os reflexos ocorrerão em alguns meses. No entanto, é fato que será mais difícil controlar a inflação, uma vez que empregos e salários em alta estimulam o consumo. Além disso, a tomada de crédito poderá ser reduzida e o corte nos juros ajudará a conter a alta do Real, que tem prejudicado as exportações. Pontualmente, os resultados estão colocados na macroeconomia, como a redução dos encargos da dívida do governo, redução dos custos dos investimentos e do ''custo Brasil'' e maior facilidade para o governo ter caixa para investimentos.
O corte de 0,5 ponto percentual na taxa de juros é saudável e deveria continuar ao longo deste ano. No entanto, tem que ser feito de maneira sustentável e sem perder o foco no controle de preços. A inflação é prejudicial a toda os setores da economia: do setor produtivo aos consumidores.

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