Corte dos juros
O corte de 0,75 ponto percentual na Taxa Selic, definida nessa semana em 9% ao mês, é uma boa notícia. É positiva principalmente para a população porque os juros para tomada de empréstimos e financiamentos caem. Beneficia também a produção e o varejo porque, desta forma, a tendência é que o consumo interno aumente e também incentive investimentos do setor produtivo. Essa redução já era esperada pelos analistas e representa uma das medidas adotadas pelo governo federal para minimizar os efeitos da crise econômica mundial, que foi agravada na Europa.
O estímulo ao consumo interno já foi adotado em administrações passadas. A receita se mostrou tão eficaz que, agora, é repetida. Além disso, vem em um momento certo, uma vez que a inadimplência tem apresentado crescimento neste primeiro trimestre, ainda puxada pelas contas excessivas de início de ano, como impostos e materiais escolares, e consumo exagerado.
Agora a expectativa recai sobre a ata do Comitê de Política Monetária, que deve ser divulgada na próxima semana. O documento vai indicar qual a tendência para a próxima reunião mensal. Por ora, a decisão é comemorada.
Outro importante passo dado pelo governo foi a insistência com os bancos para a redução dos juros. O corte teve início com as instituições públicas - Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal - e, nessa semana, atingiu as maiores empresas privadas Itaú, Bradesco e Santander, que cortaram algumas das taxas para empresas e consumidores. A pressão do governo é pela redução do ''spread'' (diferença entre o custo que os bancos têm para captar e emprestar dinheiro e o que eles cobram dos clientes), que é um dos mais altos do mundo, chegando a 30% em alguns casos.
No entanto, as medidas de incentivo à economia não podem parar. Os gargalos são inúmeros e devem ser revistos. A burocracia, os juros ainda altos, a infraestrutura logística falha continuam a alimentar o ''custo Brasil'', que faz com que a economia nacional perca competitividade.





