Corte de verbas para ciência e tecnologia e o fim do Uber
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terça-feira, 11 de abril de 2017
Daniel Campanelli de Andrade 
Depois da profunda tristeza de ver a volta de um certo goleiro à ativa e recebendo um bom salário após ser "suspeito" do assassinato seguido de ocultação de cadáver de sua então amante, acordo e leio a notícia que a Câmara dos Deputados aprovou no último dia 4 um projeto que cria diversas regras para o oferecimento de serviços por aplicativos de telefone celular como o Uber. O que me remete a fatos históricos ocorridos no País. Sucatearam a malha ferroviária do Brasil em troca de vender caminhões e consequentemente diesel na década de 70, agora estão mais uma vez criando maneiras de bloquear o funcionamento de um meio de transporte mais "barato". Como ouvi dizer certa vez, se a lâmpada tivesse sido inventada no Brasil e os fabricantes de velas se unissem para "molhar a mão" dos políticos "certos" estaríamos até hoje lendo esses absurdos a luz de velas.
Sou brasileiro, orgulhoso das riquezas naturais apresentadas pelo nosso país, além disso somos um povo alegre, disposto e bem humorado. Se não bastasse isso, somos criativos e proativos na resolução de problemas, seja utilizando a metodologia da popular "gambiarra" ou no desenvolvimento de tecnologia, sempre surpreendemos o mundo. Porém, fico relutantemente refletindo e tendo pensamentos tristes.
Tenho 30 anos, sou biólogo, mestre em Agronomia, doutorando em Agronomia, já fui professor de ensino básico, médio, universitário, tudo em excelentes escolas e faculdades, possuidoras de ótimos professores, que lutam tirando dinheiro do próprio bolso para sustentar seu projetos e ensinar seus alunos.
E outra notícia, do dia 31 do mês de março, informava que o governo federal anunciou corte quase pela metade das verbas destinadas à ciência e tecnologia. Fomos matéria de destaque em uma das revistas mais importantes do mundo no meio da ciência, a Nature, sabem qual o título da matéria? Cientistas fugindo "O novo orçamento é uma bomba atômica contra a ciência brasileira", diz o físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências. Ele adverte que os cortes prejudicarão a pesquisa e o desenvolvimento nas próximas décadas. "Se estivéssemos em guerra, poderíamos pensar que essa era uma estratégia de uma potência estrangeira para destruir nosso país. Mas, em vez disso, somos nós fazendo isso para nós mesmos."
Essas três notícias me abalaram. Tenho 30 anos, excelente formação, não consigo emprego como docente/pesquisador, devido a isso enfrento uma segunda graduação na esperança de um emprego, não tenho mais idade ou talento e nem importância midiática para ser goleiro de um bom time de futebol e agora vi minha última esperança de ganhar dinheiro para sobreviver com o Uber ir para o ralo juntamente com a ciência e tecnologia e o caráter da Justiça brasileira!
DANIEL CAMPANELLI DE ANDRADE é biólogo em Bandeirantes
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