Cortar despesas de custeio e não investimentos
Com a redução de R$ 1 bilhão no orçamento estadual de 2009 o governador Roberto Requião anuncia corte de investimentos e prorrogação da entrega de obras, embora também fale em reduzir algumas despesas de custeio. Sempre que ocorre problema de caixa na esfera das administrações públicas o ponto focal é a suspensão ou o retardamento de obras, assim como o corte em serviços sociais básicos, mas não se conhece um caso em que se planejou cortar custo bucrocrático excessivo da máquina pública.
Os governantes sabem recorrer à flexibilidade para baixo (ameaçando cortar em obras e atendimentos básicos para o povo) quando as coisas apertam, mas algo que parece intocável é desmontar a pesada estrutura governamental e saber remontá-la, fazendo-a mais enxuta e econômica. Assim fazem os empresários inteligentes com suas empresas quando as receitas caem. Porque as empresas lhes pertencem e são eles que sofrem as consequências.
Como a empresa pública não é propriedade dos governantes, eles têm passagem temporária em seu comando e por isso pouco se preocupam com a sustentabilidade dela. ''Não vamos inventar coisas novas, e duplicação de estradas (um item citado) pode ser deixada para depois'', declarou o governador. Obras rodoviárias são inadiáveis, assim como todo o investimento em outros empreendimentos necessários, que não podem ser deixados para depois. O que não pode ser adiado é o corte no custo exorbitante do sistema governamental, desde a esfera municipal até o poder máximo a República. Não haveria necessidade de corte orçamentário para obras e serviços essenciais se houvesse um enxugamento no exagerado custo de manutenção das estruturas administrativas públicas. Não se trata aqui dos compromissos regulares dos governos com a nação, que são elevados em valores, e sim do supérfluo e do abusivo, representados pelos vícios da gastança descomunal, aí incluídos os superfaturamentos de obras e serviços e outras tantas formas de corrupção. Cortar investimentos é fácil, bastando nada fazer. Já eliminar benefícios abusivos dói na carne de quem é atingido, e este é um sacrifício ao qual nenhum integrante da vida pública quer se submeter.
É um erro fazer corte no investimento produtivo, porque este é gerador de empregos. Já o empreguismo oficial é improdutivo e aumenta o custeio, assim como todo o pesadíssimo sistema governamental. Tem-se ouvido a frase lapidar de que ''não há outra alternativa'', como se ouve agora no caso paranaense, mas é porque não se pensa na fórmula salvadora, que é manter o investimento em obras e ter a coragem de fazer cortes profundos no gasto supérfluo.





