D. Geraldo Majela Agnelo
Virou rotina os meios de comunicação de massa nos alvejarem com gravíssimas denúncias de atos de corrupção, verdadeiro atentado ao bem comum. Porém, um dado novo se instalou em nosso meio: não são apenas os bandidos de carteirinha que estão nos incomodando. Agora são políticos, juízes, empresários e mesmo pessoas acima de qualquer suspeita que estão se dando ao luxo de fazer aparecer aquela parte da história humana que Deus não criou.
O que nos impressiona é que o fluxo de corruptos se instalou de tal forma nas bordas do poder – político e financeiro – que agora fica difícil fazer um discernimento de quem é honesto e de quem não o é. Pior ainda, acabamos acusando todos os nossos parlamentares, empresários, juízes etc, quando sabemos que muitos deles são homens e mulheres honestos, desejosos de contribuir para um verdadeiro progresso de nossa sociedade.
Se iluminarmos aquilo que vemos e ouvimos à luz da Palavra de Deus, veremos que o sétimo mandamento, que é a ratificação da lei natural escrita no coração do homem, proíbe tomar ou reter injustamente os bens do próximo. O Senhor, portanto, prescreve a justiça e a caridade na gestão dos bens terrestres e dos frutos do trabalho do homem, e exige, em vista do bem comum, o respeito à desatinação universal dos bens. Em suma, a vida cristã, à vista disso, deve procurar ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo.
Toda a maneira de tomar para si o bem do outro, mesmo que não contrarie as disposições da lei civil, é contrária à vontade de Deus. Assim também acontece quando se busca reter deliberadamente os bens emprestados ou objetos perdidos; defraudar no comércio; pagar salários injustos; elevar os preços, especulando sobre a miséria e a ignorância de muitos. São ainda moralmente ilícitos a especulação, pela qual se faz variar artificialmente a avaliação dos bens, visando levar vantagem em detrimento do próximo; a corrupção, pela qual se ‘‘compra’’ o julgamento daqueles que devem tomar decisões de acordo com o direito; e a apropriação e o uso privado dos bens sociais de uma empresa, com suas variações: fraude fiscal, falsificação de documentos, gastos excessivos e desperdícios.
Se nos aprofundarmos, veremos que se instalou em nosso meio uma verdadeira inversão de valores. O homem honesto é chamado por alguns de ‘‘bobo’’. Pagar impostos passa a ser ‘‘coisa de pobre’’. Ser bom é ‘‘ser tolo’’ etc. Em suma, a sociedade passou a desacreditar naqueles valores que foram construídos pela ética universal ao longo de centenas de anos, e agora passa a achar normal o rosto desfigurado de uma sociedade amoral e imoral.
Não existiriam corrompidos se não existissem corruptores. Assim, é preciso estar atento àqueles que desejam unicamente ser sanguessuga em nosso país, e isso nos mais variados setores da sociedade. Precisamos fazer brilhar a luz de Deus sobre o mundo que, embora sedento Dele, por vezes deseja interná-Lo num asilo.
Só descobrindo o real valor de viver a solidariedade é que estaremos possibilitados de cumprir a vontade de Deus. Logo, o verdadeiro cristão precisa ser ativo na sociedade e apontar o que existe de trevas, para que assim a Luz possa brilhar com mais intensidade. Jesus fez isso de forma muito clara: chamou os fariseus de hipócritas; fez estremecer a sociedade de sua época, com a verdade que saía de seus lábios; e afirmou: ‘‘Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.’’ Se Ele fez isso, também nós estamos obrigados a fazer o mesmo.
Assim, enxergando o Cristo como Rei de nossa existência, peçamos a Ele que nos dê Sua graça, para sermos construtores de Seu reino, pois só seremos bem-aventurados se fizermos frutificar o projeto de Deus em nossas vidas e na sociedade em que vivemos.

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