Como enfrentar a criminalidade quando parte dos agentes que deveriam atuar no seu combate não são confiáveis ou – o que é pior – estão envolvidos em diversos tipos de irregularidades? Nos últimos dias, a sociedade assiste estarrecida o desenrolar do "caso Tayná", que aconteceu em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). Na tentativa de apresentar uma solução rápida para o homicídio de uma adolescente de 14 anos, policiais civis são acusados de torturar quatro homens para que eles confessassem a autoria do crime.
No entanto, infelizmente, relatos desse tipo não são raros. Balanço apresentado na edição de hoje pela FOLHA aponta que a Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Paraná prendeu 56 membros da corporação até o final do mês passado. As acusações são várias: corrupção, tráfico de drogas, concussão, entre outros crimes; 32 policiais acabaram exonerados.
Delitos praticados por funcionários públicos colocam em xeque a credibilidade de todo o serviço, além de ameaçar a estabilidade das relações com a sociedade. Policiais, assim como qualquer funcionário do serviço público, não deveriam utilizar de suas atribuições para obter vantagens indevidas. Como confiar em uma pessoa, que têm a função de proteger os cidadãos, mas que usa de seu "poder" contra a sociedade? Por isso, ainda as denúncias e as punições são as melhores soluções. O problema precisa ser enfrentado e combatido.
A corrupção policial pode ser considerada um dos pilares de sustentação dos índices de criminalidade porque favorece esse tipo de ação ou contribui diretamente para aumentar os números. Além disso, também acaba por deslegitimar as ações de segurança pública, que é a situação do "caso Tayná". Portanto, iniciativas que visem combater o crime também devem focar na corrupção dos agentes públicos de segurança. E é necessário que tudo ocorra dentro da legalidade e com transparência.

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