Corrupção: o mal público
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terça-feira, 27 de agosto de 2002
Valter Orsi 
''Quem aceita o mal sem protestar, coopera realmente com ele'', disse certa vez Martin Luther King.
Com o mal da corrupção, não é diferente. Todo mundo sabe: ela é um câncer que corrói os governos, causando prejuízos financeiros e sociais, e mandando no final a conta para o trabalhador honesto pagar. Porém, em época de campanha eleitoral, a corrupção ''desaparece''. Todos os políticos, de repente, viram defensores da moralidade. Será que é mágica?
Em meio a tantos candidatos fazendo o mesmo discurso, seria o caso de perguntar: ''Se a honestidade é geral, de onde vem a corrupção?''
A conclusão é simples, meu amigo: discurso só não adianta. Se todos os candidatos dizem que são honestos, a gente precisa encontrar outro jeito para separar o joio do trigo, escolhendo candidatos dispostos, de verdade, a combater o mal da roubalheira.
A Transparência Brasil e a ONG Pé Vermelho, Mãos Limpas participam da campanha Voto Limpo 2002. A idéia da campanha é ajudar o eleitor a escolher, independente de partidos ou ideologias, aqueles candidatos que realmente vão lutar contra a corrupção desde o primeiro minuto de seus mandatos. Preocupada em garantir um voto limpo para um país melhor, a Transparência Brasil já enviou aos quatro presidenciáveis uma lista de oito propostas para criar uma jornada nacional de combate à corrupção.
Algumas dicas podem ajudar você a descobrir quem realmente é inimigo da corrupção, ou quem só é da boca pra fora. Veja só:
- Exija que o candidato abra as contas de campanha. Ele deve dizer quanto gastou, como gastou e quem financiou a sua propaganda eleitoral. Quanto mais um candidato aparece na rua, mais ele gastou. Se você perceber que as contas estão muito pequenas para o tamanho da campanha, não vote nele!
- Campanhas grandes são campanhas caras. O financiamento de campanhas milionárias frequentemente é uma das maiores fontes da corrupção.
- Candidato que vive dizendo que fez, fez, fez, pode estar querendo dizer outra coisa: que roubou, mas fez. Muito cuidado com esse tipo de candidato. Ele costuma mentir na hora de dizer o que fez e - é claro! - omitir na hora de dizer outras coisas...
- Pergunte ao seu candidato se ele tem alguma proposta concreta para combater a corrupção. Se ele não tiver nenhuma, há mais chances de crescer o nariz de Pinóquio...
- Candidato que compra voto - com dinheiro, cesta básica, material de construção ou promessas irrealizáveis - não hesitará um segundo em vender a própria alma. Risque esse candidato do seu caderninho!
- Recapitule o passado dos candidatos. Consultar os jornais - ou as ações do Ministério Público - dos anos anteriores pode ser uma excelente forma de separar os honestos de fato e os honestos da boca pra fora.
Vamos acabar juntos com o mal público da corrupção!
VALTER ORSI é empresário em Londrina, conselheiro da Transparência Brasil e membro da ONG Pé Vermelho, Mãos Limpas


