Corrupção no governo
Um mês após à saída do ministro do Esporte, Orlando Silva, por denúncias de corrupção em convênios com ONGs, agora recai a suspeita de desvio de recursos públicos sobre o Ministério dos Transportes. Denúncias veiculadas na imprensa afirmam que o PDT, partido do ministro Carlos Lupi, teria utilizado o setor de controle da pasta para praticar extorsão contra ONGs, parlamentares e servidores públicos, com propinas que chegariam a 15% do valor cobrado por cursos de capacitação profissional.
O ministro se adiantou e afastou o assessor especial Anderson Alexandre dos Santos, coordenador-geral do programa Qualificação e apontado como operador do suposto esquema. Em nota, o ministro ainda pediu que a Polícia Federal investigue o caso e abriu sindicância para apurar a existência de irregularidades neste setor no ministério. Neste caso, surpreende a informação de que o Palácio do Planalto alertou e cobrou medidas de Lupi contra as acusações de irregularidades em convênios firmados pela pasta com ONGs. O ministro diz que não firmou nenhum contrato com essas entidades no ano passado e, por isso, a avaliação é que os fatos não o atingem diretamente.
É prematuro fazer qualquer julgamento sobre o caso, mas o mínimo que se espera é rigor nas investigações. Casos de corrupção têm sido recorrentes em todas as esferas da administração pública, de federal a municipal. É preciso acabar definitivamente com esta prática. No entanto, o mais importante é a punição. Enquanto os responsáveis não responderem efetivamente pelos seus crimes, casos de corrupção continuarão a ocorrer frequentemente.
Desde o início do governo de Dilma Rousseff (PT), em janeiro, já foram trocados sete ministros: Alfredo Nascimento (Transportes), Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sérgio (Relações Institucionais), Nelson Jobim (Justiça), Orlando Silva (Esporte), Pedro Novais (Turismo) e Wagner Rossi (Agricultura), além de dezenas de comissionados lotados em escalões inferiores dos ministérios. A presidente tem tirado do seu governo os envolvidos em escandâlos, mas é preciso a sua interferência direta nos órgãos federais para evitar que esta prática continue ocorrendo.





