Trezentas mil pessoas já morreram no mundo pelo novo coronavírus, segundo a Universidade Johns Hopkins (EUA), que monitora dados da pandemia. Conforme a instituição, a velocidade com que as mortes ocorrem devido à Covid-19 parece estar diminuindo. O número de óbitos dobrou de 50 mil para 100 mil em apenas oito dias, entre 2 e 10 de abril. Para que a marca dobrasse de 100 mil para 200 mil óbitos, foram necessários 15 dias. E, entre a marca de 150 mil e 300 mil mortes, foram 27 dias.

É preciso lembrar sempre que o número real de óbitos por Covid-19 deve ser muito maior, considerando a subnotificação. Faltam testes em massa em muitos países, incluindo o Brasil. Epicentro da pandemia no país, o estado de São Paulo chega próximo a cinco mil vítimas fatais. Na sequência desse ranking trágico vêm os estados do Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Amazonas.

Se já não bastasse a tristeza de constatar o aumento de casos e mortes, é lamentável descobrir que pessoas sem escrúpulos algum são capazes de desviar dinheiro da saúde pública. Enquanto a Covid-19 matou muita gente no País e está levando famílias, empresas e estados para uma condição de caos econômico, grupos atuam dentro da administração pública para colocar a mão no dinheiro que poderia estar sendo usado para compra de testes e parelhos de segurança para profissionais de saúde.

No Rio de Janeiro, estado que já contou mais de dois mil mortos por Covid-19, dois empresários ligados ao governo federal foram presos na Operação Favorito, deflagrada pela Polícia Federal, no âmbito da Lava Jato sobre atos durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral. Porém, de acordo com a PF, a organização criminosa alvo da apuração manteve sua atuação nas contratações emergenciais voltadas para o combate à pandemia do novo coronavírus, o que motivou as prisões preventivas.

É a corrupção, essa palavra que teima em voltar ao noticiário nacional e que representa um câncer para a saúde pública. Ela começa pequena e vai aumentando sua contaminação. A corrupção faz um estrago e não respeita surtos e pandemias. Causa tanto sofrimento e prejuízos materiais. Sabemos que como toda a doença, com a corrupção também é melhor prevenir. Mas nesse quesito, parece que continuamos sempre em guerra.

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