Corrupção na Receita
A cada dia a Operação Publicanos, desencadeada mês passado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, ganha contornos mais grandiosos. Nessa semana, matéria desta FOLHA apontou que há a suspeita de que 58 auditores fiscais da Receita Estadual podem estar envolvidos na organização criminosa que achacava empresários para obter vantagens indevidas. O número representa 43% do quadro atual do órgão, que é de 135 fiscais tributários.
Na edição de hoje o Gaeco confirma que o grupo agia há décadas. Foram coletadas declarações que em 1995 já estava estabelecido um modo de operação muito semelhante ao executado atualmente. Um sistema de operações ilícitas montado dentro de um órgão público que tinha entre os objetivos o enriquecimento pessoal dos servidores, em detrimento dos cofres estaduais. Já foi constatado que fiscais têm patrimônio com valor estimado em R$ 30 milhões, totalmente incompatível com a renda de servidor.
Agora é importante que as investigações prossigam e que os culpados sejam punidos. Se ao longo de todos esses anos a falta de punição favoreceu a continuidade e ampliação das práticas ilícitas, é preciso dar um basta neste tipo de ação. As penas aplicadas não devem ser brandas, pelo contrário. Além da exoneração dos cargos, é importante que esses agentes cumpram pena e que devolvam o dinheiro ou o patrimônio obtido por meio da corrupção. Somente dessa forma é que a prática do crime deixará de compensar.
Também seria importante que o próprio governo estadual fizesse uma varredura em todas as fiscalizações promovidas por esses servidores. O rombo pode ser muito maior do que investigado. Além disso, esse trabalho deveria ser estendido às demais delegacias do Estado. Se há indícios da prática em outras delegacias, a investigação deve ser instalada.
A corrupção é um dos crimes mais nefastos porque atinge toda a população. Tira recursos que poderiam ser aplicados em setores como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura que beneficiariam a todos.





