Corrupção na administração pública
A cobrança de propina para facilitar a doação de terrenos do município para empresas, em um esquema desbaratado ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado(Gaeco), põe em xeque a atual política de industrialização municipal. Reportagem da FOLHA publicada há pouco mais de um mês relatava a "falta de terrenos públicos"
disponíveis à doação. Na época, 76 empresas estavam na fila para obter um espaço com a finalidade de ampliar suas atividades.
Sem áreas disponíveis e com as amarras de um Plano Diretor parado, a Codel negociava a transferência de um terreno pertencente à Cohab e dependia da alteração do zoneamento de algumas regiões da cidade para propor a instalação de indústrias. Mesmo assim, oito empresas receberam terreno neste ano. No entanto, a partir da prisão de um funcionário público de carreira acusado de cobrar propina para agilizar os processos de doação e de dois intermediadores e com o depoimento de empresários que admitiram ter pagado o suborno, essa política no mínimo precisará ser reestruturada.
Uma fiscalização mais efetiva sobre os atos dos funcionários, como pede o Ministério Público, tem que ser acatada com urgência. Colaboração com a investigação do Gaeco é importante, no entanto, o fundamental seria impedir a cobrança e o pagamento de propinas em órgãos públicos. Até porque, mais um ato de corrupção na administração municipal volta a arranhar a imagem da cidade.
Londrina vem perdendo força política e econômica nos últimos anos devido à sua baixa industrialização. Se esta estagnação vem ocorrendo por falta de bons administradores públicos e pela troca constante de prefeitos nos últimos anos, tudo indica que o cenário mudou. No entanto, fiscalizar os atos de todos os agentes públicos é item fundamental para garantir transparência à administração e recuperar a autoestima da cidade.





