Estarrece os cidadãos de Londrina a sucessão de ações judiciais contra a administração do ex-prefeito Antonio Belinati, sem que se perceba um avanço em forma de resoluções que levem à punição dos culpados e à recuperação dos valores subraídos. Os anos vão passando, pois 5 já transcorreram, e logo alguns casos (são mais de 30 as ações) comecem a caducar por decurso de prazos e nada fique resolvido. Na última sexta-feira mais 9 ações foram ajuizadas, envolvendo denúncia de desvios de R$ 890 mil, e assim esse pesadelo de longa duração vai se estendendo. A realidade parece converter-se em ficção e que nada é real. Mas a ‘‘verdade dos fatos’’, como diz o jargão processual, é que milhões e milhões desapareceram do cofre público sem deixar rastro. Na soma total são cerca de R$ 200 milhões, somando-se os R$ 186 milhões da venda de 45% das ações da companhia telefônica Sercomtel – cujo destino a população desconhece – e os milhões do processo já conhecido como AMA-Comurb, leia-se Autarquia Municipal do Ambiente e Companhia Municipal de Urbanização, agora com nomes modificados. Tudo está envolto em nebulosidade e, se a tradição brasileira prevalecer, com o correr do tempo o nevoeiro denso irá se dissipando, não pelo esclarecimento mas pelo esquecimento. O ponto fundamental é que as decisões da Justiça são demoradas demais, isto porque a elasticidade da legislação propicia esse andar lento. Ademais, caso como este de Londrina, que envolve um ex-prefeito e pessoas expressivas de sua administração, e, sobretudo, envolve elevada soma, favorece a ação de bons defensores e o prolongamento dos processos até onde houver fôlego legal. Se nem todo o valor citado é objeto das ações em andamento, a verdade é que todo esse montante encontra-se ‘‘em lugar incerto e não sabido’’, e é alto demais. Deve interessar aos munícipes mais sensatos não o espetáculo de ver os indiciados sendo conduzidos ao cadafalso e sim que os valores surrupiados – até onde esse delito ocorreu – sejam devolvidos, porque, no caso da Sercomtel, boa fatia da empresa foi parar em mãos fora do município e, com ela, também os lucros correspondentes. Some-se a isso o agravo de que o dinheiro da venda desapareceu e até agora não foi localizado, ao menos não pela comunidade municipal, que afinal é a legítima dona. É torturante esse estado de impotência e de expectativa, que leva os cidadãos à perda da crença na instituição judicial, que em última instância é a mais elevada e, portanto, a única na esfera da legalidade. Se as leis brasileiras são flexíveis e favorecem procrastinações aparentemente infindas, os cidadãos também sentem ultrajada a sua dignidade.

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