Os brasileiros ainda acreditam que a corrupção mantém suas raízes na prática política. Pesquisa divulgada ontem pela ONG Transparência Internacional indica que 56% dos brasileiros consideram o governo ineficiente para inibir o desvio de recursos públicos, enquanto 23% consideram o governo eficiente e 21% não opinaram. O levantamento também mostra que 47% dos brasileiros acreditam que a corrupção aumentou nos últimos dois anos; 35% avaliaram que a situação não mudou; e 18% disseram ter visto melhora.
Outro ponto bastante negativo para os políticos é que para 81% dos entrevistados a corrupção afeta os partidos; 72% mencionaram o Congresso; e 70% a polícia. As instituições mais bem avaliadas segundo esse critério foram as Forças Armadas (30%) e as igrejas (33%). Esses dados ajudam a embasar o argumento das pessoas que participaram dos recentes protestos Brasil afora. Um movimento que começou concentrado em São Paulo e no Rio de Janeiro para reivindicar a redução da tarifa do transporte coletivo ganhou corpo e passou a englobar vários itens, motivos de insatisfação generalizada da população, como a corrupção na política, a PEC 37 (que pretendia limitar o poder de investigação do Ministério Público) e a violência policial.
A reforma política é relevante porque pode mudar pontos importantes no atual modelo eleitoral, entre eles o fim das coligações proporcionais e o financiamento das campanhas. No entanto, itens como o fim do voto secreto no Congresso definitivamente não precisariam ser objeto de consulta popular. Já deveriam fazer parte do passado na Câmara e no Senado.
No entanto, a punição para crimes de corrupção e práticas correlatas deveriam ser mais severas. É importante acabar com a imagem de que crimes de colarinho branco não são punidos. Agora, vale ressaltar que o fim da corrupção também depende da população. Optar por "candidatos ficha limpa", acompanhar a vida pública dos administradores públicos são funções do cidadão e não podem continuar sendo esquecidas.

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