Corrupção e neobobismo de JK
A socióloga Maria Lucia Victor Barbosa escreveu na Folha (artigo publicado no último sábado) que Juscelino Kubistcheck, JK, foi a única luz do Brasil no século. Permito-me discordar mostrando a corrupção e o neobobismo de JK.
Se JK, em vez de construir e asfaltar estradas, tivesse investido o dinheiro em educação como fizeram Taiwan e Coréia do Sul nos anos 60 e 70, teríamos hoje tecnologia própria como aqueles dois Tigres de primeira linha (não comparem com os Tigres de segunda, como Indonésia, Filipinas, Malásia e Cingapura. Estes também preferem a infra-estrutura viária e de telefonia antes da infra-estrutura cerebral).
O salário mínimo em Taiwan e Coréia era muito menor do que o salário brasileiro nos anos 50, e hoje é de US$ 1 mil por mês. Antes de JK, o salário mínimo no Brasil era de R$ 700, uma criação de Getúlio Vargas.
O maior criador de riquezas do mundo chama-se tecnologia própria, e JK não investiu nisso. Tivesse JK, em vez de subsidiado a indústria automobilística (Volkswagen e outras), investido nas universidades brasileiras de engenharia e outras, o Brasil hoje seria um país rico. JK criou Brasília para as construtoras mineiras faturarem, mas não criou universidades para o Brasil enriquecer. A riqueza tecnológica construída em 10 anos pode gerar lucros maiores, suficientes para construir oito vezes mais estradas e telefones depois.
A construção de Brasília foi a maior mancha de corrupção da história do Brasil. Para cada entrega de tijolo e cimento, o mesmo caminhão levava três notas fiscais e entrava três vezes na mesma obra. Os meninos de FHC não deixaram a CPI das Empreiteiras sair em Brasília e depois essa corrupção foi superada pelo governo FHC. Agora, para cada R$ 1 devido de juros da população e das empresas, o Banco Central permite que os bancos cobrem 11 vezes o valor devido.
JK iniciou as mentiras bonitas que incharam nossas grandes cidades, que transformaram nossas belas cidades nos paraísos de cimento (odiados até por Antônio Ermírio de Moraes) e favelas (amadas por políticos conservadores). A queda dos salários no Brasil começou com JK e continuou
com FHC. Hoje o salário mínimo vale US$ 70, quatro vezes menos do que na época de Getúlio Vargas. O Brasil que teve a bossa nova antes de JK hoje tem a violência.
A campanha eleitoral pós-JK foi a da vassourinha para limpar a corrupção. Mas Jânio e Jango eram frágeis. Hoje, o Brasil possui uma oposição com hombridade e com força feminina suficientes para enriquecer o Brasil, como fizeram os taiwaneses e coreanos do Sul (ex-Terceiro Mundo). Hoje a oposição tem mais inteligência econômica e organizacional. Além disso, não há mais possibilidades de Pinochets e generais argentinos agirem a mando de Rockfellers, sem serem posteriormente julgados e condenados.
Parem de defender ilusões, defendam a universidade, a pesquisa tecnológica e a nova lei contra o crime do colarinho branco.
- PEDRO MENDONÇA é escritor em Curitiba





