Corrupção e educação
Sempre que episódios de corrupção são divulgados é preciso fazer uma reflexão sobre o quanto a sociedade brasileira ainda precisa evoluir. Ontem, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sinapse, que prendeu 18 pessoas (entre elas três professores) acusadas de desviar cerca de R$ 6,6 milhões da área de ensino a distância do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR). O reitor da instituição também ficará afastado do cargo temporariamente a partir desta segunda-feira.
A partir de fatos como esse, é possível mensurar o quanto a corrupção está arraigada na cultura brasileira. Não está restrita apenas à política ou aos seus negócios e interesses. Está presente em várias esferas públicas, sejam as pessoas envolvidas detentores de mandato público ou não. No caso da Operação Sinapse, o que choca é que foram desviados recursos destinados à educação, um dos setores de maior deficiência brasileira como apontado em inúmeros indicadores divulgados recentemente.
A má qualidade do ensino público da educação infantil à graduação e ao técnico é resultado de anos sem investimentos adequados em estrutura dos prédios, equipamentos e na qualificação do corpo docente e de servidores. Além disso, é responsável pela falta de mão de obra qualificada que atinge o mercado de trabalho. Lamentável a informação de que parte dos recursos destinados a esse fim são desviados, não chegam aos alunos e beneficiam alguns poucos.
O que a sociedade deve cobrar é maior rigor na punição dos envolvidos. A lei branda e que possibilita vários recursos demora a ser cumprida, o que acaba por arraigar o sentimento de que essa prática não tem punição. É um ponto a ser mudado na atual legislação. Somente com a punição efetiva dos culpados pela corrupção e a partir da melhora da educação dos brasileiros é que esse quadro poderá ser modificado.





