Já foi citado, em outra oportunidade, a mudanças pelas quais o Brasil necessita passar e que são, para o Partido dos Trabalhadores, um verdadeiro desafio de competência e de boa vontade. Entre elas está a questão da corrupção desenfreada, da impunidade, do crime organizado, da insegurança social, da carência de educação, enfim. Mas há outro aspecto fundamental que
deveria ser, este sim, a bandeira de luta do novo governo: o desemprego social.
Relembrando que somente 10% do dinheiro perdido para a corrupção seria o suficiente para dar cabo ao desemprego no Brasil, tamanho é o prejuízo que se paga pela ação de uma política errônea e desonesta que, desde os tempos da República Velha, está presente no País. O desemprego está diretamente relacionado a maior parte dos problemas que uma sociedade pode apresentar, além de contribuir para a marginalização social. Por isso, ouvir que a erradicação da fome foi escolhida como a principal meta do governo Lula chega a ser um tanto contraditório. Por acaso adiantaria o Estado fazer caridade sem que haja oportunidade de trabalho a todos? Resolvido à questão do desemprego, não estaria liquidado o
problema da fome?
A queda do poder aquisitivo do salário mínimo também deve ser avaliada. O aumento do custo de vida, a desvalorização da mão-de-obra e a procura infinitas vezes maior que o número de oferta de trabalho faz com que a remuneração do profissional se torne ainda mais irrisória. Você sabia que o menino de favela do Rio de Janeiro, que se disponha a trabalhar para o tráfico, pode ganhar numa semana o que o pai de família fatura num mês como servente de pedreiro?
Não obstante, o conhecimento profissional que a empresa solicita do jovem antes de poder admiti-lo contribui para o agravo da situação. É ilógico requerer experiência de alguém que nunca teve oportunidade de trabalho. Certo é que o País defronta crise social, mas alguns casos levam a
questionar se parte da população não é sua cúmplice também.
O homem dignifica o trabalho. A inversão proposital da ordem deste ditado reflete exatamente a realidade brasileira, lembrando que 85% do povo não discute política antes das eleições. Ora, quanto maior for o número de pessoas dispostas a ignorá-la, maior a vulnerabilidade do país no que se refere à políticas desonestas. Deve-se esperar de Lula apenas uma liderança sobre o qual caminho se deve trilhar. A verdadeira mudança deve estar em você, não mais tolerando corruptos.
LUIZ BALBINO DA SILVA JÚNIOR é estudante em Maringá.

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