É parte da disputa eleitoral no Brasil a verificação óbvia, cada vez mais chocante, de que somos, no mundo, uma espécie de vanguarda da corrupção. As avaliações de organizações preocupadas com o tema, de vez em quando, mostram oscilações para números menores o que de tão pouco representativo apenas tem o condão de nos manter em posições humilhantes nesse ‘‘ranking’’.
  E o pior é que o poder presidencial, quando investido da aura messiânica, tal qual se dava com Getúlio Vargas, é suficiente, com um simples discurso, para neutralizar todo o impacto de sequências delituosas como as havidas por praxe na Casa Civil desde José Dirceu (episódio Valdomiro Diniz e posteriormente a articulação mensaleira) até as ações desenvoltas de Erenice Guerra.
  No episódio do mensalão a Procuradoria da República cumpriu o seu papel e o Judiciário também ao acolher a denúncia. No plano político as ações de gente do Paraná como Alvaro Dias, no Senado, e Gustavo Fruet, na Câmara Federal, merecem destaque.
  O que faltou foi o mínino de coragem, o que se daria em qualquer país civilizado, para propor o ‘‘impeachment’’ do Presidente da República e tudo pelo temor da popularidade, como se o fulgor dessa estivesse acima das regras do jogo democrático, tão agredidas, e do império da lei.
  O surpreendente em tudo o que ocorre é justamente o peso das ocorrências mal alcançar as pesquisas de opinião como se a versão oficial, a do presidente que acusa a mídia de ser partidária, a tudo se sobrepusesse.
  O populismo da moda - e que se funda numa distorção cultural brasileira de ver no chefe de Estado uma espécie de patriarca bíblico -, é o nutriente básico do processo e a ele se une a oposição quando, por temor das pesquisas, presta vassalagem a um cenário que pode reproduzir quadros como os vividos na Itália e Alemanha nos pródromos da Segunda Guerra Mundial e que se daria certamente como tragédia e não como farsa na correção que Marx fez de Hegel sobre o curso da História.

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