Constantes denúncias de roubo e diferentes tipos de corrupção, impunidade, negociatas, mentiras, enfim as mazelas no Executivo e Legislativo - às vezes contaminando outras instituições -, estão afastando o jovem da política. Ele perdeu o entusiasmo.
Sobre este afastamento do jovem da política partidária, a FOLHA DE LONDRINA, através do repórter Fábio Cavazotti, entrevistou com exclusividade o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello. Ele atribuiu parte desse desinteresse aos escândalos que assolam o cenário político nacional.
Usando de eufemismos e com expressões amenas - talvez mais compatíveis com o seu cargo -, o presidente do TSE aponta os ''desvios de conduta'' dos políticos como causa do afastamento dos jovens.
Mas o que a autoridade chama de ''desvio de contuda'' é tudo aquilo que se expressa em escândalos como o caso Renan Calheiros, dólares na cueca, mensalão, denúncias de roubo nos Correios, na Caixa Econômica e outras imoralidades.
O jovem sente ojeriza e quer ficar longe desse lixo. Deveria ser diferente. Mas, justamente agora que a Nação precisa do ideário dos jovens, e clama por sua presença, ele se intimida. Talvez por sentir que nos últimos anos a corrupção foi institucionalizada. Com essa agenda, não tem para ninguém - diria o jovem trabalhador, o estudante decente.
Claro que é um erro o que acontece hoje. No tempo da ditadura o jovem reagiu, foi torturado, morto. Para derrubar um presidente corrupto, pintou a cara e ocupou as ruas. E agora, com a corrupção mais virulenta e voraz, ele some, está escondido. A cientista política Lúcia Hipólito disse recentemente que a União Nacional dos Estudantes (UNE) foi cooptada. Outros analistas usam termos mais fortes para se referir à omissão dos estudantes.
Mas não é, necessariamente, do militante da UNE que se fala. A UNE tem um papel importante. E é pena que não reage. Porém, o Brasil precisa do universitário consciente, do trabalhador. E espera que ele entre nos partidos pela porta da frente.
Não se pede mobilização, alarido e outras manifestações efêmeras, que só rendem mídia circunstancial. O que se deseja são atitudes individuais, que brotem da vocação de cada um e sua inclinação pela política. Para que haja sangue novo - em lugar de sanguessugas. Para que haja sangue bom, em vez de espertalhões. Para que políticos decreptos, viciados, sejam substituídos por jovens comprometidos com os interesses do País.

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