Corrida para emprego e poder
Não paira dúvida de que a maioria dos disputantes de cargos eletivos visa empregos e poder. Um pequeno punhado, que se conta pelos dedos das mãos, provavelmente tenha espírito público e o desejo de realmente contribuir para a melhoria das coisas de interesse coletivo, mas nem nestes poucos os eleitores acreditam. Este o ponto a que chegou a confiabilidade popular nos políticos e mesmo nos novatos que se lançam na corrida eleitoral. Na listagem publicada ontem por este Jornal viu-se que, no Paraná, muitos concorrem à reeleição e que alguns figuram entre os envolvidos em denúncias de corrupção. A concessão para estes últimos é permitida se os seus direitos políticos não foram cassados, mas se a moralidade fosse requisito prevalecente dos partidos, estes nomes deveriam ser rejeitados. Porque apenas uma denúncia que venha a envolver um homem público já configura uma nódoa. Nunca se viu pesar acusação alguma sobre políticos comprovadamente honestos. Por isso, estes são os indispensáveis. O selecionamento precisa começar dentro das corporações partidárias. Isto não acontece porque certos nomes, mesmo que sob investigação, têm notoriedade e são úteis, especialmente para os pequenos partidos, porque a chance de que se reelejam é grande num país de eleitorado ainda com baixa formação política. Tais nomes, que merecem o qualificativo de resíduos recolhidos dos monturos da corrupção, passam pela malha rala dos partidos e da lei eleitoral e se apresentam aparentemente reciclados, mas sua substância continua a mesma. A esperança que resta é sempre a de que a massa votante vá se aperfeiçoando e aprenda a descartar os rejeitos, porque quando essa comunidade atingir um patamar mais elevado de consciência política também se infiltrará nos partidos e iniciará o processo de saneamento. Pensa-se sempre nos maus candidatos e no baixo nível do eleitorado propenso a dar o voto em troca de algum favor mas raramente se volta o olhar para os partidos, onde deve ocorrer o selecionamento, a começar de seus membros e depois de seus candidatos. O caminho a percorrer é longo, mas será preciso ir dando os primeiros passos para que uma agremiação partidária dê exemplo às outras e, afinal, a moralidade se instale. Bons candidatos previamente selecionados têm mais performance para se converterem em bons governantes. Por ora, ainda não dá para confiar que os postulantes que ora se apresentam para a eleição de outubro diga-se a maioria deles não visem apenas um polpuldo emprego público que a investidura no cargo representa e o ingresso no círculo do poder, tão generoso em imunidades e regalias.





