CORRENDO ATRÁS - Aeroportos deficientes são ameaça para Copa no Brasil
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
Bruno Maffi<br> Reportagem Local 
A infraestrutra exigida para a Copa do Mundo 2014 evidencia a falta de planejamento estratégico no Brasil. A grande preocupação é como atender a demanda de público gerada pelo megaevento esportivo. E problemas não faltam: aeroportos saturados e superados, rede hoteleira inadequada, insegurança e telefonia fora dos padrões mundiais. Os prazos para atender são curtos e já foi cogitada a possibilidade de que o País perca o direito de sediar o evento. A Inglaterra seria o Plano B da Fifa.
''O medo de não sediar o mundial esportivo despertou nas autoridades a preocupação de corrigir o que há muito devia ser feito, e que traria inúmeros benefícios para o turismo e a economia brasileira'', afirma o arquiteto André Silvestri, especialista em infraestrutura aeroportuária. Mestre em planejamento de aeroportos pela Universidade de São Paulo (USP), ele aponta nesta entrevista uma série de desafios que o Brasil precisa superar nos próximos quatro anos para abrigar uma dos maiores competições esportivas do planeta.
Qual a situação da infraestutura aeroportuária do Brasil?
O mundo tem 23 mil aeroportos. No Brasil, são 68 de grande porte. Nosso movimento anual é de 100 milhões de passageiros. Nossos aeroportos são antigos e têm restrições de segurança, de peso. Não temos uma cultura estabelecida de acesso ao transporte aéreo. Houve uma época em que era mais barato viajar de avião. Como o fluxo estava grande demais, e não havia estrutura para atender a demanda, subiram os preços das passagens. Isso é retrocesso. Então apareceu a Copa do Mundo. E a mentalidade é construir aeroportos para não deixar de sediar. Uma prova da falta de visão estratégica do governo.
Como a burocracia trava o investimento em infraestrutura?
Temos quatro anos para adequar os aeroportos. Alguns terminais foram readequados e estão sendo construídos novos. O problema é que entraves burocráticos, como as licitações, que são passíveis de contestações, podem impedir que as obras fiquem prontas a tempo.
Como resolver esse gargalo?
O governo tem que partir para a iniciativa privada. Fora do Brasil isso é muito comum. Nos aeroportos, a pista é de administração governamental. O espaço aéreo é de controle governamental militar. E a administração dos terminais de passageiros é privada. O gerenciamento misto é o caminho.
Mas há outros problemas de infraestrutura além do aeroportuário, não há?
O problema não são só os aeroportos. A pessoa pousou, mas e aí? A rede hoteleira está preparada? As estradas estão preparadas? Nossas cidades estão cheias de carros. Londrina, por exemplo, tem um veículo para cada duas pessoas. Somos um país continente que ainda não amadureceu para sua realidade.
A infraestrutura inadequada pode comprometer o turismo durante a Copa?
Florianópolis perdeu a oportunidade de ser cidade-sede por falta de estrutura, mas não vai deixar de receber turistas. Quem estiver em Curitiba não vai deixar de conhecer a cidade. Foz do Iguaçu também será muito visitada. Essas cidades precisam de planejamento porque é certo o aumento de visitantes durante a Copa.
Curitiba é uma das cidades-sede da Copa. O Aeroporto Afonso Pena está preparado para a demanda?
O Afonso Pena é um dos mais avançados quanto a equipamentos de apoio à navegação aérea. Além do ILS-2, está sendo instalado o ILS-3, utilizado para pouso cego, neblina total. Ninguém fala, mas o Aeroporto de Curitiba vive fechado. A instalação do ILS-3 é uma questão de poder político. Isso vai atrair muitos pousos para a cidade. Se em outro aeroporto não houver condições de descida de aviões, Curitiba será a opção nacional.
Como está Londrina nesse cenário?
Londrina pode receber uma seleção. Temos uma boa rede hoteleira e o Estádio do Café pode ser adequado para treinamentos dessa equipe. Se for um time africano, por exemplo, tudo bem. Mas se for a seleção de Israel? Como seria o aparato de segurança? Estaríamos preparados? Já o nosso aeroporto pode ser uma alternativa de pousos. Houve momentos em anos passados em que recebemos voos internacionais. Porém, temos que ser coerentes. Não temos condições de receber jogos em Londrina. Imagine uma seleção norte-americana jogando aqui? O fluxo de pessoas para ver o jogo entupiria tudo. E a segurança de um time desses? Estamos muito aquém dessa realidade.
Não temos cultura de acesso ao transporte aéreo
Burocracia pode impedir que obras fiquem prontas a tempo


