Correção do FGTS. Não foi desta vez
A forma de correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é ridícula; um desprezo ao trabalhador. Pena que, nestes anos todos, a injustiça não parece ter incomodado o governo, os sindicatos e tampouco o próprio PT. Nem aos governos anteriores ao do PT. Mas, de repente, num rasgo de lucidez, alguém (que não é da base do governo) resolve formular um projeto de lei que altera os critérios de correção das contas do Fundo. E não é que, após nove sessões consecutivas sem ser votado, o relator do projeto (este da base do governo) propõe sua retirada de pauta? Seria votado na última quarta-feira. Agora não se sabe quando entra de novo na pauta. Quem sabe às vésperas das eleições. Bem para o trabalhador está valendo do mesmo jeito. Se a questão é eleitoral que assim seja.
A julgar pelo texto da Folhapress, só há um motivo para a retirada: a autoria, isto é a paternidade da mudança não é de um senador governista. A proposta atual é para que as contas sejam corrigidas pelo IPCA mais juros de 3% ao ano (hoje, são corrigidas pela TR mais 3%). A correção teria, no mínimo que repor a inflação. A retirada de pauta seria a pretexto de trocar o indexador para o INPC mais juros escalonados com base na Selic. Opção menos vantajosa. A mentira é a seguinte: a retirada da votação seria porque está havendo uma tentativa de acordo em torno da forma de melhor remunerar as contas dos trabalhadores (?). A própria liderança do governo no Senado se ofereceu para mediar um entendimento em torno do projeto. Não precisa dizer mais nada. A ideia da correção voltaria ao plenário pelas mãos de um senador governista.
O rendimento do FGTS é tão ruim para o trabalhador que ele tem, ao final de um ano, menor poder de compra em relação ao ano anterior (na verdade, o poder de compra é menor a cada mês, uma vez que o crédito é feito sempre no dia 10). No ano passado, por exemplo, as contas do fundo tiveram o pior rendimento da história: 3,90% - o INPC foi de 4,11% e o IPCA, de 4,31%. Significa dizer que o poder de compra do trabalhador caiu em vez de subir, como mostra o repórter Marcos Cézari.
Quem olha para esses números, individualmente, tem a impressão de que as perdas são pequenas. Nada mais falso. Como há mais de 70 milhões de contas, a perda é enorme a cada mês. Somente no dia 10 deste mês os trabalhadores deixaram de receber R$ 1,18 bilhão. É que a correção mensal foi de apenas 0,2977%, enquanto o IPCA de abril foi de 0,43%.





