Buenos Aires - O governo já desenhou o novo plano com que espera poder começar a desmantelar o corralito financeiro que o então ministro da Economia, Domingo Cavallo, impôs há seis meses, em 3 de dezembro do ano passado. Com o novo decreto assinado na noite de sexta-feira última, o presidente Eduardo Duhalde aponta para a descompressão do agudo descontentamento social diante dos 40 bilhões de pesos que os poupadores viram retidos nos bancos - fato que influiu grandemente não só para a crise político-social do país, mas também para a impossibilidade de regenerar a economia e reconstruir o sistema financeiro local.
O corralito foi instituído para impedir a quebra do sistema financeiro, ante uma corrida aos bancos, e evitar uma crescente falta de liquidez.
Depois de ainda se situar dentro da conversibilidade de 1 por 1 ante o dólar, o peso foi cotado, desde a desvalorização, a 2,15 no fim de fevereiro, 2,90 no fim de março, 2,95 em abril, 3,45 em maio e, sexta-feira passada, fechou a 3,53, de acordo com o preço fixado pelo Banco Central, e a 3,67 nas casas de câmbio.
A inflação acumulada no ano chega a 30%. Os reajustes de preços são cada vez maiores. Os preços no atacado aumentaram 60,7% de dezembro a abril e, no varejo, 21,l%.
Com o novo decreto, o governo espera que os poupadores optem pela troca de seus depósitos retidos por um menu de títulos com diferentes prazos de vencimento, em pesos e em dólares. Essa seria uma boa solução para evitar que os bancos e o Banco Central continuem sofrendo uma sangria de fundos. A grande incógnita que se apresentará nos próximos dias é se essa ‘‘saída’’ do corralito que o governo vende agora funcionará, ou se os poupadores preferirão manter seus depósitos nos bancos e continuar à espera de ter a sorte de conseguir uma sentença judicial para sacá-los - ou ainda, no pior dos casos, aguardar os cronogramas de devolução que começam em 2003. Os bancos estrangeiros asseguram, porém, que esse cronograma não poderá ser cumprido, com o que, se os poupadores optarem pela segunda alternativa, o corralito continuará trazendo sérias dores-de- cabeça ao presidente Duhalde.
Já o Fundo Monetário Internacional (FMI), não aprovou o plano do fim do curralito. Segundo o jornal ‘‘La Nación’’, o chefe da missão do FMI para o caso argentino, Anoop Singh, teria mostrado ao diretor-gerente, Horst Köhler, e à vice-diretora-gerente, Anne Krueger, que o plano é insuficiente para eliminar totalmente as restrições bancárias impostas pelo curralito porque só uma parcela pequena dos correntistas deve exercer a opção de trocar os depósitos congelados por títulos.

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