Os frutos produzidos pelos debates do 1º Fórum Nacional Anti-Drogas do Colégio Militar de Brasília possuem tamanhos, sabores e processos de maturação dos mais diversos, pois alguns defendem ser a matéria questão de segurança nacional. Outros, menos abnegados, defendem que o País, por não ser mercado produtor, não deve se envolver com a questão e tampouco permitir que outros se envolvam; há, ainda, aqueles que defendem ser a questão de ordem militar e por isso tratada pelas Forças Armadas e não mais pela polícia.
A capacidade operativa e a eficiência do apoio logístico de uma força armada dependem, basicamente, de sua instrução e adestramento. Quando ambos são diversificados, objetivos e bem preparados, preparam o militar, com proficiência, para o combate. Para que possa haver proficiência da instrução militar, há necessidade de serem realizados exercícios em que as forças singulares se adestrem em operações combinadas ou conjuntas e que fiquem capacitadas para casos reais. O adestramento traduz-se pela existência real de unidades ou forças capazes de ser empregadas prontamente, com eficiência e eficácia.
Oferecidos estes conceitos, cabe a pergunta de se estariam nossas Forças Armadas dotadas de exercício, apoio logístico, instrução ou adestramento que as permitisse tratar corretamente tão delicada matéria. O treinamento das Forças Armadas está concentrado para um fim diferente, cujo meio para atendimento consiste na pura e simples remoção de obstáculos de qualquer espécie que se interponham no seu caminho, enquanto a Polícia recebe treinamento específico para desconfiar, investigar e prender as pessoas que depõem contra a ordem social estabelecida.
Então, qual seria a solução para o combate às drogas, visto que nossa polícia não tem encontrado caminho para eliminar o crescente problema, que a longo prazo compromete o desenvolvimento da Nação, e que o emprego de Forças Armadas igualmente não levaria a bom termo pelos motivos já expostos, correndo-se o risco, inclusive, de adicionar transtornos aos inúmeros já existentes? Parece-me viável o emprego de treinamento específico para o efetivo policial, bem como reaparelhamento deste, aliado a uma política de remuneração concernente com o risco.
Enquanto isso, deixemos que as Forças Armadas cumpram com seu nada fácil papel de garantir a soberania da Nação, tarefa que fazem com elevados níveis de competência, pois caso seja delegado a elas o encargo do problema do tráfico de drogas, recomendo que a população como um todo ‘‘Corra, que o Exército vem a풒, em detrimento do chavão utilizado somente pelos fora-da-lei, ‘‘Corra, que a polícia vem a풒.
- RICARDO PROCHET é graduado e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV e professor universitário em Londrina

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