Os leitores da FOLHA, vira e mexe, questionam distorções que se tornaram crônicas e que, de tão flagrantes, ninguém as contestam. A professora Maria Cristina Peres, de Cambé (Cartas, 25 de abril), escreve sobre o que chama de propaganda enganosa do governo federal. Ela se refere à frase de efeito ''Brasil, um País de Todos''. Sem dúvida um sucesso publicitário. Mas é fácil contestar esse mote eleitoral inspirador. Não se pode negar que o Brasil é um país de todos, inclusive daqueles que vivem presos atrás das grades (da sua panificadora ou quitanda) para se protegerem das quadrilhas que estão soltas e livres para atacar. É um país de todos, mas em determinadas áreas, pertence a todos envolvidos com o tráfico e traficantes. Território com dono, portanto. A leitora cita as 17 mortes de pacientes em Imperatriz (MA) por falta de UTIs.

Na mesma coluna de cartas, escreve a engenheira civil Margareth Saiuri Nazima Ferreira, de Londrina. Sua indignação é com o corporativismo. O Conselho Nacional de Justiça decidiu aposentar compulsoriamente a juíza Clarice Maria de Andrade que manteve por 26 dias uma adolescente presa em cela masculina, com cerca de 30 homens, na delegacia de polícia de uma cidade do Pará. A leitora lembra na sua carta que a menor foi violentada e torturada.

No caso da ''punição'' (ou seria prêmio?) à juíza, o comentário da engenheira Margareth dispensa outras considerações. Diz ela: ''É inadimissível que um magistrado, responsável pelo cumprimento da lei e da justiça, cometa um ato abominável como este e sua ''pena'' (entre aspas) seja não precisar mais trabalhar e continuar recebendo salário oriundo do nosso trabalho''. Nossa leitora diz mais: A igualdade de direito tão mencionada nas leis está muito longe de ser uma realidade, restando a nós leigos trabalhadores continuarmos à mercê da interpretação das leis e suas aplicações.

Enfim, corporativismos, propaganda enganosa, propaganda eleitoral a toda hora, além de um escândalo político atrás do outro, fazem parte da rotina dos brasileiros, divididos apenas entre os que as praticam e as vítimas dessa prática.

mockup