Coronavírus: pânico e preconceito não ajudam
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terça-feira, 04 de fevereiro de 2020
Folha de Londrina 
Mesmo sem confirmar casos de coronavírus (pelo menos até o fechamento desta edição), o Brasil já experimenta situações absurdas de pânico e preconceito contra orientais. Há relatos de agressões verbais contra a comunidade chinesa e japonesa que vive no Brasil e que derrubam por completo a imagem de um povo solidário e hospitaleiro.
Nas redes sociais, há várias histórias de constrangimento no transporte público e estabelecimentos comerciais. No metrô do Rio de Janeiro uma estudante de direito e descendente de japoneses contou que foi chamada de “chinesa porca” por uma passageira.
A preocupação é que à medida em que o vírus se espalhe pelo mundo, a agressividade e o preconceito também cresçam. O surto do novo coronavírus já causou a morte de 420 pessoas (uma nas Filipinas e o restante na China) e infectou milhares.
No Brasil, balanço divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Ministério da Saúde aponta que caiu de 16 para 14 o número de casos suspeitos de infecção pelo novo vírus em investigação no País. Até o fechamento desta edição, nenhum caso foi confirmado. Mesmo sem essa confirmação, o governo federal pode elevar o nível de alerta no Brasil a qualquer momento e declarar a emergência em saúde pública.
O objetivo é justamente dar agilidade ao Estado na contratação de medidas extremas, como a montagem de uma área de quarentena, que será necessária para receber os brasileiros que retornarão da cidade chinesa de Wuhan, epicentro do novo coronavírus.
Segundo o governo federal, ao menos 40 brasileiros que estão naquela região da China manifestaram interesse em voltar ao Brasil.
A quarentena é uma medida necessária. As pessoas que estão em Wuhan têm mais probabilidade de estar infectada com o vírus do que qualquer uma que vive ou passa por outra região da China.
É certo que o coronavírus se espalha pelo mundo quando uma pessoa infectada se desloca de um país para outro. Mas isso não é motivo para admitir situações de xenofobia, culpando o estrangeiro por um problema que precisa ser enfrentado com calma e sabedoria, sem espalhar pânico. O preconceito não ajudará em nada.
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