Se como diz o ditado "uma andorinha sozinha não faz verão", penso que estamos no caminho certo. A união do povo brasileiro em manifestações, greves e paralisações, aponta para a concretização da ordem e do progresso, tão almejados pela população em toda a história do Brasil.
Mal começou a nova gestão do governo Dilma Rousseff (PT), e já há quase uma população inteira insatisfeita com este segundo mandato. Em todos os cantos do País fala-se da indignação por tantas falcatruas, má administração financeira e corrupção. As projeções para inflação e PIB de 2015 são as piores possíveis. O reajuste tarifário na energia elétrica chega a 40%. O valor pelo serviço de água e esgoto também estará mais salgado a partir de março. A gasolina, em alguns pontos, já está 10% mais cara para o consumidor brasileiro. O clima de caos econômico assombra todos os setores, principalmente o setor industrial, que amarga a maior carga tributária, de 45% do seu PIB.
O sistema tributário do Brasil já pode ser considerado o mais caro do mundo. Esse aumento abusivo na tributação é o mesmo que punir financeiramente a população por causa da má administração do governo. Ou seja, o governo administra mal as contas públicas, por isso o dinheiro vai escorrendo pelo ralo e, em consequência, a população é obrigada a aportar mais dinheiro para que o sistema não quebre.
A ineficiência do poder público, descaradamente, coloca o Brasil em último lugar quando o assunto é aplicação de tributos em prol de qualidade de vida para a população. No ranking dos países com maior carga tributária, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), no quesito investimento dos tributos para melhoria dos serviços públicos, o Brasil perde feio, inclusive para vizinhos como Argentina e Uruguai.
E não tem como falar em crise sem mencionar o colapso que acomete o governo do Estado. Como digerir um grande "pacotaço" de uma hora pra outra sem se preocupar com o futuro e estabilidade econômica da população? Se vivemos em uma democracia, nada mais justo que em um momento de recessão abrir o diálogo, debater, mas tudo isso com tempo e planejamento. A severidade nas mudanças, principalmente para o funcionalismo público, despertou a decepção do paranaense. Mudanças implicam reflexos e o reflexo das propostas do Estado se transformou em pesadelo para o cidadão.
O Paraná tem muitas vantagens em relação aos outros estados: a rota gastronômica está nos principais catálogos turísticos do país; nossa terra é fértil e o agronegócio movimenta a economia; temos um bom ambiente de negócios, que só tende a melhorar com a aprovação de um Plano Diretor para Londrina; o mercado imobiliário da região é forte e se destaca nacionalmente, como revelado recentemente em uma pesquisa elaborada para a Revista Exame.
O Paraná tem diferenciais, mas que não nos deixam imunes a crises econômicas. Exemplo disso está no setor do varejo, que já amargou o reflexo da recessão econômica: em 2014 as vendas foram as piores em 11 anos, segundo o IBGE. Se continuar assim, onde vamos parar?
Queremos de volta a esperança que nos foi tirada. Precisamos voltar a acreditar na mudança, na ordem e no progresso. As vozes unidas têm força para ecoar mundo afora. É hora de gritar "basta"!

FLÁVIO MONTENEGRO BALAN é empresário em Londrina



■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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