Todos os dias cerca de mil pessoas morrem no Brasil em razão de doenças cardíacas. Por ano, os problemas de coração resultam em mais de 300 mil óbitos no país. Os números, disponibilizados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), levam à reflexão: como minimizar o grande índice de mortalidade?

Para o cardiologista Fabrício Parra Garcia a prevenção, sem dúvida, é o melhor caminho. No entanto, mesmo sabendo dos riscos, a maioria das pessoas cultiva hábitos não saudáveis como o tabagismo, sedentarismo e má alimentação. ''Quem tem casos na família deve realizar um check up anual a partir dos 30 anos'', recomenda o médico.

Como prevenir as doenças cardíacas?
Na cardiologia existem duas formas de tratamento: o preventivo e o curativo. O curativo é quando atendemos a pessoa com infarto no hospital e temos que usar uma série de recursos para poder tratar. O ideal é o preventivo. A pessoa que não sente nada, mas que tem uma história familiar de problemas cardíacos, deve fazer um check up anual a partir dos 30 anos. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda a partir dos 40, mas a gente está vendo no dia a dia casos de pessoas cada vez mais jovens.

Qual a faixa etária mais atingida?
Acima dos 50 anos é mais comum. Porém, hoje todas as faixas etárias podem sofrer com problemas no coração.

E por que as pessoas estão tendo problemas cada vez mais cedo?
Por causa do tabagismo, hipertensão, diabetes, colesterol, sedentarismo e má alimentação. Os jovens comem muito sal e gordura. O uso de drogas também influencia. Eu já atendi casos de infarto decorrente do uso de droga em pessoas com 16, 17 anos.

Quais os tratamentos indicados para essas doenças?
A prevenção é o melhor caminho. Agora se você desenvolve a doença existe uma série de tratamentos: medicamentoso, cateterismo e cirurgia, por exemplo. As cirurgias são muito comuns. Em Londrina são realizados cerca de cinco procedimentos cirúrgicos cardíacos por dia.

O que um leigo deve fazer no caso de presenciar um ataque cardíaco?
A primeira coisa é acionar um serviço de resgate. A maior parte das paradas cardíacas acontece fora do hospital. Por isso, o ideal seria saber o que fazer em um primeiro momento. No entanto, se a pessoa não tem nenhum treinamento e não sabe fazer uma massagem cardíaca, no tempo em que espera o serviço de resgate não deve fazer nada. Deve deixar a pessoa deitada no chão, tentar estender a cabeça dela e ver se ela está respirando. Um fator importante é passar o maior número de informaçãos ao acionar o resgate. Não se deve fazer nada se não tiver treinamento, pois a pessoa pode estar muito apavorada e piorar a situação. Às vezes é só um engasgo ou um desmaio.

Como é possível identificar se realmente se trata de parada cardíaca?
É importante esclarecer que a maior parte das paradas cardíacas é infarto, mas nem todo infarto leva a parada cardíaca. O principal sintoma do infarto é dor no lado esquerdo do peito, um aperto, uma sudorese intensa, palidez e falta de ar. A dor é muito angustiante e pode ir para o braço esquerdo. Se o indivíduo tiver esses sintomas tem que procurar o hospital. Mesmo se tiver uma dor fraca é bom ir ao médico. É melhor ir ao hospital e não ser nada do que ter uma dor no estômago e ser um infarto. É muito comum a gente ver infarto com dor atípica.

Metade das pessoas que sofrem infarto não chega viva no hospital. Não são necessárias novas terapias e uma abordagem mais rápida?
No caso de infarto, quanto mais rápido conseguir abrir a artéria melhor. Se conseguir nas primeiras seis horas a chance de melhora é muito grande. O infarto pode causar a parada do coração ou um sofrimento que causa uma doença chamada insuficiência cardíaca, que desenvolve problemas crônicos e deixa o coração fraco. A insuficência tem uma mortalidade maior do que muitos tipos de câncer. O fator tempo é muito importante.
Já existem medicamentos que são utilizados até na ambulância. A cardiologia é uma das áreas da medicina que mais apresenta avanços. Porém, a incidência de problemas cardíacos é muito alta. Por mais que se salve vidas, cada vez mais aumenta o número de casos novos. A gente avança no tratamento, mas as pessoas não se cuidam.

mockup