Copel estatal ou um salto no escuro
Está na hora de parar de mentir para a população. Vamos falar a verdade, o governo precisa vender a Copel para solucionar um problema financeiro grave e que ameaça a governabilidade do Estado
(Palavras de Hermas Brandão, deputado aliado do governo e presidente da Assembléia Legislativa do Paraná)
O Brasil atravessa um dos piores momentos de sua história. O projeto neoliberal implementado pelo governo Fernando Henrique Cardoso, com o claro propósito de desmantelar o Estado entregando setores estratégicos a grandes corporações transnacionais, vem sendo seguido à risca pelo subserviente governo que temos no Paraná, que depois de vender a Sanepar e o Banestado prepara-se agora para entregar a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel).
Empresa modelo no setor energético, porque além de gerar transmite e distribui energia, a Copel tem participação direta em várias empresas, contemplando áreas como gás, telecomunicações, fibra ótica, energia eólica, telefonia fixa e celular. Com lucro líquido de R$ 430 milhões no ano passado, um patrimônio invejável de 18 usinas e quase três milhões de consumidores, a Copel participou decisivamente no desenvolvimento do Paraná, levando energia a pequenas e médias propriedades rurais, à indústria e ao comércio, além de implementar tarifas diferenciadas para famílias carentes. Entre 1983/86, por exemplo, colocou-se em prática o maior programa de eletrificação rural da América Latina, o Click Rural, com 120 mil novas propriedades eletrificadas (até então havia apenas 80 mil propriedades eletrificadas). Por esta razão é dever patriótico de todos nós, paranaenses, defender a Copel da ganância e da incompetência administrativa do atual governo, que em momento algum da campanha eleitoral manifestou o desejo de privatizá-la.
Como forma de resistir à privatização foi criado o Fórum Popular Contra a Venda da Copel, movimento cívico paranista, patriótico e suprapartidário, tendo por objetivo organizar e dinamizar as ações das entidades sociais e partidos políticos contrários à desestatização da estatal. O PDT faz parte deste Fórum. Possui uma longa história de lealdade e coerência aos interesses maiores da Nação, tendo atuado na vanguarda das lutas populares e nacionais, principalmente em defesa do patrimônio público. Por isso, também estará presente na ampla mobilização que realizaremos através do Fórum para agregar entidades da sociedade civil, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e a população em geral num grande mutirão de coleta de assinaturas contra a venda da Copel, nos dias 23 e 24 de março, que ocorrerá simultaneamente em centenas de municípios.
Além da coleta de um milhão de assinaturas, o Fórum está desenvolvendo por todo o interior do Paraná atos públicos, caminhadas, reuniões e palestras, a fim de conscientizar os paranaenses sobre a importância de mantermos a Copel nas mãos do Estado, como também pressionar os deputados que ainda estão a favor da sua venda a mudarem de posição. Haveremos de ganhar esta parada, com a unidade e a força de todos os paranaenses, rechaçando os inquilinos do Palácio Iguaçu que já confessam subserviência às ordens federais (e do FMI), mas ainda escondem o maior de seus motivos que está precisamente relacionado a problemas de caixa. Estamos, portanto, diante das seguintes alternativas: é a Copel estatal ou um salto no escuro!
- NELTON FRIEDRICH é presidente estadual do PDT e coordenador-geral do Fórum Popular Contra a Venda da Copel. Presidiu o Conselho Administrativo da Copel entre 1983 e 1986





