Copa e eleições no Brasil de 2002
O Brasil da Copa de 2002 é o mesmo Brasil das eleições de outubro próximo, porque em ambos uma nação deposita esperanças. No primeiro, o da conquista de um título que há anos escapa das mãos dos brasileiros. E, no segundo, porque a escolha de novos políticos para cargos de extrema importância reacende a possibilidade de mudanças. Mas, o que é importante, não há desta vez nenhuma semelhança de propósitos entre um Brasil e outro, como ocorreu na Copa de 70.
Está gravado na memória deste povo que uma Seleção Brasileira de alto nível, naquela década, lutava nos campos em partidas vibrantes para trazer o título ao Brasil. Se nos gramados do México a comissão técnica e os jogadores eram isentos de intenções políticas, nos bastidores o que se visava não era, a priori, a consagração de um País na prática de um esporte mundial. Os anos eram de regime militar e na ótica dos políticos situacionistas da época, o futebol, tanto quanto o carnaval, era o circo, tal como já se fazia no Império Romano.
Sendo, no entanto, a história uma testemunha da verdade, tem-se que a Seleção Brasileira de 70 trouxe o título e consolidou o País como o melhor na prática do esporte, ao mesmo tempo em que atrocidades ocorriam nas prisões políticas e decisões absurdas despertavam aos sobressaltos a população, na forma dos famigerados atos institucionais. E embora na defesa de alguns analistas políticos e na avaliação do próprio regime o circo tivesse extrema importância por acalmar manifestações contrárias aos acontecimentos, que raramente vinham a público, o Brasil da Copa de 70 tem, sobretudo hoje, plena consciência que em nenhum momento serviu aos interesses daqueles que tantos prejuízos trouxeram ao País. Pelo contrário, encheu de alegria um povo que sofria, sem tirar dele a possibilidade de ser racional. Ninguém, além de vibrar com os gols, as vitórias e o empunhar do troféu pelo capitão do time vencedor, se deixou seduzir pelos embalos do poder.
Agora, em 2002, da mesma forma caminham em vias paralelas a Copa do Japão e da Coréia e as eleições de outubro. Caso a Seleção Brasileira consiga trazer o título, a festa será do povo, que nas urnas, muito mais amadurecido quem em 70, saberá que a glória do futebol é uma conquista à parte, de um esporte que envolve milhões. E, nas urnas, ele, como eleitor, escolherá aqueles que merecem comandar este País.





