A indicação para o cargo de coordenador da Região Metropolitana de Maringá marca o retorno de João Ivo Caleffi (PT) à administração pública - dois anos após ser derrotado na disputa à reeleição pela prefeitura da cidade. Dentre as prioridades de sua gestão, João Ivo cita o resgate da dívida social de Maringá com Sarandi e Paiçandu - cidades que absorvem boa parte dos males sociais de Maringá. Nessa entrevista, ele trata também das diferenças políticas com o grupo do prefeito Silvio Barros (PP).
Como está a implantação da região metropolitana?
Nossa luta maior é na questão política. Temos que ter clareza que a função da coordenação da região metropolitana é de articulação política e de planejamento. Nós queremos um projeto sustentável e que cada cidade seja um pólo de desenvolvimento econômico. Uma cidade não pode matar outra. Então, Maringá não pode sufocar Marialva, Mandaguari, ou vice-versa. A pessoa que quer ficar morando em Astorga, em Marialva, onde queira, tem que ter qualidade de vida lá.
Como vê a situação de Sarandi - cidade dormitório de Maringá e que ostenta os piores índices de violência da região?
Nossa meta é cuidar de toda a região, mas o foco principal é Sarandi e Paiçandu. Já consegui R$ 6 milhões do governo federal para rede de esgoto. Sarandi tem só 3% de rede de esgoto, 97% da cidade não tem tratamento de esgoto. Maringá tem muita responsabilidade nisso porque os pobres foram expulsos da cidade, em razão dos aluguéis muito caros, e foram para Sarandi e Paiçandu. Essa é uma dívida que tem que ser sanada, Maringá não pode ver apenas o seu umbigo. Mais de 75% das riquezas da região metropolitana estão em Maringá.
Há projeto para integração do transporte coletivo?
Estamos trabalhando nisso. Quem mora em Maringá tem transporte integrado e paga uma passagem só. Mas quem mora em Sarandi ou Paiçandu paga R$ 1,90 para chegar em Maringá, e depois paga outra passagem até o serviço ou a escola. A consequência disso é que o empresário e a dona de casa de Maringá, quando vão contratar um trabalhador, preferem gente de Maringá. Trata-se de uma discriminação social terrível contra aqueles que mais precisam. A integração com Sarandi e Paiçandu está bem adiantada.
Como está o relacionamento com o prefeito Silvio Barros, que o derrotou numa das eleições mais conturbadas da história de Maringá?
Já conversei com ele duas ou três vezes (após assumir a coordenação), como tenho feito com todos os prefeitos. Vou agir como estadista, acho que a região metropolitana está acima das questões políticas de momento. Quando chegar a eleição cada um estará com seu partido. São dois grupos fortes e que vão disputar de novo a eleição em 2008.
Há consenso com o prefeito?
Difícil a gente ter consenso. Temos conversado muito. O consenso é construído, ninguém impõe. Com alguns prefeitos é mais fácil, com outros fica mais difícil. Já estamos próximos na questão da integração do transporte. Acho que também é possível contruir consenso na priorização da infra-estrutura em Sarandi e Paiçandu, geração de emprego, meio-ambiente, aterros sanitários.
E as divergências?
Eu sou um político de linha socialista, de inclusão social, de defender a coisa pública, e o prefeito de Maringá, o grupo que ele representa, e não estou fazendo crítica, tem uma linha mais neo-liberal, de mercado regulador, de privatização das coisas, do lixo, do hospital. Acho que esse é o principal divisor de águas ideológico, é a disputa principal em Maringá em certo sentido. Nisso discordamos totalmente e não há acordo, mas no dia a dia, a gente tem que trabalhar juntos.

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