Tudo tem a hora certa. Já foi o tempo em que o Estado alocava recursos em suas próprias empresas e acelerava o processo de desenvolvimento. Hoje, privatizam-se as estatais e promove-se o crescimento com dinheiro de investidores privados. Já foi o tempo também em que o sistema de cooperativas conseguia juntar esforços e transformava o suor de cada um em negócios atraentes.
Algumas cooperativas que reúnem interesses uniprofissionais se sobressaíram e são exemplo aos olhos do mundo. É o caso da brasileira Unimed. Uma cooperativa gigante de médicos que exporta tecnologia para outros países. Outros tipos de cooperativas, que produzem bens e os comercializam, estão iniciando um processo de reestruturação societária para se adequar aos novos tempos.
É fundamental estar atento para essa nova forma de associação, porque as cooperativas foram e continuam sendo responsáveis pela viabilização de atividades vitais no Brasil, especialmente no setor do agribusiness.
As 30 maiores cooperativas agrícolas somam ativos de mais de 7 bilhões de reais. Contudo, a abertura do mercado provocou aumento na competividade o que, aliado às taxas de juros, parece ter levado este importante setor a redirecionar sua forma associativa. Alguns pontos como estruturas inchadas, ingerência dos cooperadores, decisões de investimentos equivocados provocaram perdas e endividamento financeiro para várias delas.
Em outros casos, o crescimento do mercado exigiu aumento da sua atividade e necessidade de novos e pesados investimentos. Da mesma forma, o sucesso de algumas operações vem atraindo importantes investidores interessados em participar do negócio. Contudo, essas demandas esbarram na natureza jurídica do sistema cooperativo que, por não ter forma de uma sociedade por ações, impede o ingresso de capitais de risco.
A melhor maneira de resolver essa questão deve surgir do levantamento correto do valor da organização e sua capacidade de gerar lucros. Feito isso, deve-se partir para uma reestruturação societária, tributária e organizacional. É bem verdade que ao deixar de ser cooperativa, essa nova sociedade passa a amargar custos de pelo menos 30% de imposto de renda sobre o seu lucro, até então não devido. Mas é possível que, em contrapartida, ganhe mais agilidade, condições para compartilhar do mercado de capitais e recursos para investir pesado em tecnologia, equipamentos e treinamento.
São questões para serem enfrentadas num mundo novo, onde o sindicalismo perde força e a competividade determina o comportamento empresarial.
ANTONINHO MARMO TREVISAN é consultor de empresas.

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