A sociedade e os políticos devem saber que a busca das soluções sociais implica, necessariamente, em atacar as causa dos problemas e não simplesmente reprimir seus efeitos. Mesmo assim, os programas sociais emergenciais de abrigo aos carentes no inverno, que já se manifesta, precisam receber todo o apoio da população paranaense. Afinal, independente de discutir as razões da pobreza, a hora é de ajuda imediata. O denominado Dia da Bondade, que o governo do Estado promove desde 1987 - e cuja campanha de 2005 foi lançada ontem, em Maringá e Londrina pelo governador Roberto Requião - é uma dessas promoções de auxílio urgente. Merece o apoio e adesão de todos. Ela visa a coleta de roupas, calçados, cobertores, alimentos e outros bens, que serão entregues a 200 entidades assistenciais do Paraná, para que os distribuam. Em Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu o programa funcionará nos estacionamentos de uma rede de supermercados e o apelo é que todos aqueles de boa vontade levem as suas doações. Como forma de contrapartida, o governo promoverá, nesses locais - até amanhã às 18 horas - um serviço de atendimento gratuíto para obtenção de carteira de identidade, registro de nascimento, CPF, reconhecimento de paternidade, habilitação para casamento, exames preventivos de saúde, inscrições em programas sociais e até cortes de cabelo e apresentações teatrais. Mas o programa não se limitará a essas quatro cidades, pois se estende a todo o estado por via do Provopar, o Programa do Voluntariado Paranaense. Todos os lares da classe média para cima dispõem de peças em condições de uso que podem ser doadas, e não só roupas mas também colchões, móveis, utensílios e alimentos não perecíveis. Esta é uma hora especial, porque quem sente frio e não tem com que agasalhar-se não pode esperar. A campanha não consiste na oportunidade de esvaziar armários e libertar-se de coisas em desuso, mas sim praticar um ato de fraternaidade, cujos benefícios serão grandes para os que dependem desse socorro. O fim de semana é oportuno para o exercício da solidariedade e selecionar tantas coisas boas que deixaram de ser usadas e estão, digamos ociosas. Elas serão de grande serventia para tantas famílias carentes que sofrem muito especialmente nos dias frios deste Estado do Sul, onde os invernos são rigorosos. Embora o Dia da Bondade possa ser uma prática de todos os dias e as doações possam ser feitas continuamente (na sede do Provopar, em outras entidades congêneres ou diretamente às pessoas), a oportunidade do evento que ora se realiza é especial, pela facilidade e pela aproximação do frio. Se as coisas que podem ser feitas agora são adiadas, poderão não realizar-se e, assim, perdem aqueles que têm oportunidade de servir e perdem os carentes que esperam por essa ajuda.

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