A recondução do suplente Sidney de Souza na Câmara de Vereadores, em Londrina, gerou contrariedade no seio da opinião pública e já motivou um imediato questionamento judicial. Parece que a cidade, que passou por grande tribulação no ano passado por conta de desmandos na Casa, está fadada a viver estados de aborrecimento e revolta, porque mal sai de momentos tumultuados e outros recomeçam. Foi por conta de mudança de afogadilho na Lei Orgânica do Município - que abreviou o período de vacância para a convocação de suplentes - que isto está agora acontecendo.
Essa alteração ocorreu na última sessão de 2008 e acabou favorecendo o próprio Sidney, que era suplente de José Roque Neto (que viria a assumir interinamente a Prefeitura na qualidade de presidente eleito do Poder Legislativo). Sidney já estaria preparando o próprio caminho de retorno, pois já se falava na iminência de Roque ser o prefeito provisório. Uma pérola de ironia partiu do procurador jurídico da Câmara, Maurício Emmanoel. Perguntado pela repórter deste Jornal Janaina Garcia se foram observados aspectos morais no episódio da recondução, ele proferiu: ''Às vezes o que é moral para mim não é para você''. E, conforme a jornalista escreveu, tão veloz quanto o processo de convocação de Sidney foi a mudança de discurso do presidente interino da Câmara, Jairo Tamura. Ele era contra a convocação, antes de assumir, e agora mudou de posição. O vereador que ora assume foi apontado no ano passado, por Orlando Bonilha (vereador cassado) como articulador de denunciados esquemas de corrupção no Legislativo. O retorno à Câmara por outra via (já que o eleitorado não o reelegeu) foi uma intervenção divina, no dizer do próprio Sidney, porque depois de empossado ele pronunciou: ''Deus é pai''.
Outra questão ainda polêmica é a que trata de realização do novo turno, que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tende a marcar para março e no qual concorrerão Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT). ''Como candidato, eu me sentiria inseguro de concorrer numa eleição que possa ser cassada pelo Supremo Tribunal Federal'', declarou na reunião do TRE o desembargador Gilberto Ferreira. Porque a defesa do candidato eleito e impugnado Antonio Belinati (PP) já anunciou que entrará com recurso junto ao Supremo. O próprio candidato Hauly não parece disposto a concorrer enquanto o processo não passar por todas as instâncias judiciárias. Convocar nova eleição nessa condição de indefinição é um risco.

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