No quadro econômico mundial que se apresenta neste penúltimo ano do milênio, três inimigos conspiram contra a estabilidade dos mercados emergentes, dentre eles o Brasil: a queda do ritmo da atividade econômica internacional; a diminuição dos preços das commoditties; e a redução dos fluxos financeiros para esses países. Com base nestes três fatores negativos, pode-se aludir que se tornou mais difícil aprofundar os esforços voltados ao incremento das exportações. Consequentemente, os financiamentos das vendas externas assumem caráter ainda mais decisivo. Este aspecto permite prever, com segurança, novas reduções nos preços das commoditties, com reflexos gerais no comércio mundial.
Diz um antigo ditado: ‘‘O que não tem remédio, remediado está.’’ Ou seja, o Brasil terá de conviver - e bem - com todas as adversidades, pois elas potencializam as dificuldades para a geração de emprego e renda e retomada do crescimento. A primeira e mais urgente tarefa nesse sentido é relativa às reformas estruturais, especialmente a tributária e a fiscal. Ambas, se bem conduzidas e operacionalizadas, poderão influir de modo mais consistente na determinação dos preços dos produtos e serviços, tornando-os mais competitivos e adequados ao comércio exterior. Deverão, ainda, colaborar para a redução dos gastos do governo e uma arrecadação de impostos mais sadia, inteligente, racional e menos voraz e predatória. Isso estimularia os agentes econômicos a produzir mais e criaria condições favoráveis ao crescimento. A necessidade das reformas é, agora, mais premente, à medida que é menor o número de ativos privatizáveis, que cresceu o déficit social e que é muito limitado o acesso a financiamentos baratos e de longo prazo.
Nesse contexto, as reformas fiscal e tributária devem ser representadas por efetivas mudanças - racionais, despolitizadas e apartidárias - evitando-se a repetição de erros históricos, como o desgastado recurso simplista de aumento de impostos para buscar a redução do déficit público. É importante lembrar que, em 1998, a União arrecadou, por meio de tributos, 31% do PIB e gastou cerca de 38% desse mesmo PIB.
O descompasso na relação receita/despesa assusta os capitais especulativos, que, evitando assumir riscos com o Brasil, procuram nichos de negócios menos vulneráveis. O aumento dos juros, com o qual o País procura reverter a evasão de capitais, amplia as dificuldades dos empresários em negociar seus produtos e serviços e em obter margens razoáveis de ganho. Assim, se o governo, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique, não demonstrar vontade política e atuar de forma incisiva no Congresso para a realização das reformas, vislumbram-se três consequências diretas e negativas: linhas de crédito ainda mais curtas e caras; aumento da inadimplência; e crescimento mais grave do desemprego.
Neste momento em que inicia seu segundo governo, com o aval democrático dos eleitores brasileiros, é fundamental que o presidente sinalize, com clareza e objetividade, as prioridades de sua administração, como e quando serão concluídas as reformas e quais as garantias que empresários e investidores - internos e externos - podem ter para planejar com segurança suas atividades nos próximos quatro anos. Essa postura contribuiria de forma significativa para reverter o espírito de pessimismo, que não é conveniente neste momento em que a Nação precisa de ânimo, fôlego, confiança e estímulo para seguir em frente.
O posicionamento do governo, principalmente se materializado na realização ágil das reformas, também é importante para manter a credibilidade internacional, indiscutivelmente reconquistada pela estabilidade financeira implementada pelo Plano Real. E é imprescindível que a ajuda internacional se mantenha, pelo menos nos níveis atuais, e que as principais autoridades mundiais continuem a dar o seu testemunho de fé no Brasil. Nesse cenário, nossos governantes devem ser mais otimistas em seus pronunciamentos e cautelosos em suas promessas. Devem, principalmente, responder com ações concretas ao apelo unânime da Nação, realizando as necessárias reformas, para que o País, mais do que conviver, possa vencer os inimigos que o espreitam nas trincheiras da competitividade internacional.

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