Os problemas econômicos e sociais que assolam o País, podem, sim, desestimular a maternidade. Mas o que dizer de pessoas bem-sucedidas que não querem saber de filhos? Segundo a psicanalista Marina Massi, professora do Núcleo de Casal e Família da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), a sociedade competitiva de hoje leva a mulher a abdicar de filhos em troca de uma sólida carreira profissional.
''A mulher que assume um emprego de muita responsabilidade e competitividade acaba se dedicando integralmente ao trabalho, tanto em horas como em energia gasta. Dessa forma, ela fica muito pouco disponível para ter filhos'', ressalta Marina, autora do livro ''Vida de Mulheres: Cotidiano e Imaginário'' (Editora Imago).
Como terapeuta de casal, a psicanalista e professora da PUC, Almira Rossetti, costuma presenciar em seu consultório histórias que lhe possibilitaram traçar um perfil de cônjuges sem filhos. Ela conta que, em casais entre 35 e 40 anos, há uma necessidade muito grande de negar o desejo de tornarem-se pais e de criarem laços mais estáveis entre si.
''Já nos mais velhos, nota-se uma tristeza, um arrependimento, muitas vezes. Há a tentativa de adotar os sobrinhos ou os filhos de amigos. Procuram preencher a vida com viagens, coleções, obras sociais'', observa Almira. ''Percebo uma certa rigidez e dificuldade de serem maleáveis, porque a convivência com filhos obriga os pais a reverem atitudes e crenças.''(Agência Estado)

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