Curitiba Com raríssimas exceções, as longas conversas entre adolescentes ao telefone se resumem em fofocas ou o que, na gíria, os próprios adolescentes chamam de puro ''besteirol''.
A estudante Ângela Jorge de Andrade, 17 anos, que assustou os pais com a conta telefônica de R$ 240,00, admite. ''Ficamos falando nada com nada o tempo todo. Nunca tem um assunto de verdade. Nunca penso: vou ligar para fulana para falar sobre tal coisa.'' O telefone, revela a adolescente, acaba servindo como um passatempo. ''Quando fico em casa e não tem o que fazer, vou para o telefone.''
Ângela, no entanto, terá que arrumar outra distração. Recebeu um ultimato do pai que, caso a conta do telefone não diminua, a invenção de Graham Bell será definitivamente abolida de sua casa.
A ''ameaça'' do pai já surtiu resultado. Ângela diz que já não faz mais chamadas para celulares (o custo da ligação é mais caro) e garante que só liga para telefones fixos em casos de urgência. As conversas com as amigas ou com o namorado que demoravam em média 40 minutos estão virando coisa do passado. ''Vou ter que me acostumar'', afirmou em tom de lamentação.
Mariana Machado Casado, 17 anos, melhor amiga de Ângela é uma das principais cúmplices nas intermináveis ligações telefônicas. ''A gente se vê todo dia, mas sempre aparece uma fofoca nova'', confessa.
Em casa, Mariana também enfrenta o protesto dos pais e não é para menos. Na última conta telefônica, diz ela, R$ 315,00 foram referentes às ligações que fez para telefones celulares. A maior parte das chamadas foi para o namorado. ''Ligo para ele de cinco em cinco minutos para saber onde ele está e se está com alguma menina junto'', revelou Mariana, ciumenta assumida.
Um bloqueador de telefone mudou a rotina da adolescente, mas não muito. Impedida de fazer as ligações para celular, exigiu que o namorado ligue com frequência para continuar monitorando os passos dele.
O bloqueador é a tentativa mais recente dos pais de Mariana para fazê-la desgrudar do telefone. Os gastos excessivos já renderam à jovem outras punições como ficar sem dinheiro para sair e sem ganhar roupas novas.

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