Conversa de boteco: exercício do consenso
A pobre, rasa e medíocre democracia brasileira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
A pobre, rasa e medíocre democracia brasileira
Claudio Tedeschi 
A democracia hoje tão cantada em verso e prosa por nossos políticos, se transformou no novo jargão que é expresso por todos, a toda hora, mas que a grande maioria não tem nenhuma noção do que a verdadeira democracia representa.
Em primeiro lugar a democracia sendo o único remédio capaz de amenizar o prazer infindável que é para o ser humano poder (mandar), maior prazer ainda é o poder totalitário onde minhas ideias e ações não podem ser contestadas .
A democracia pressupõe a soberania popular na escolha de seus representantes, e iguala o voto de um grande magistrado, ao voto de um simples operário.
Isto tem muito a ver com o cristianismo , que não só considera todos os homens com a mesma grandeza, além de considerar a possibilidade maior dos humildes, terem uma pureza e sensibilidade maior para compreensão da realidade da vida, que muitos letrados e afortunados não tem.
Chesterton no livro "ortodoxia" nos ensina que:
A democracia nos pede para não ignorar a opinião de um homem bom mesmo que ele seja nosso criado.
E a tradição nos pede para não ignorar a opinião de um homem bom, mesmo que ele seja nosso pai.
Churchill dizia que a democracia é o "pior regime social do mundo, fora todos os demais" .
Já Aristóteles no livro (a política), considera que a democracia pode ser o melhor regime político, porém pode ser totalmente desfigurado e falho, pelo uso de quem chega ao poder, utilizando a demagogia, o clientelismo e o assistencialismo.
Já no livro de Augusto de Franco ( democracia de A a Z ), fica claro que o poder democrático conquistado pelo voto da maioria, em função das fragilidades apontadas por Aristóteles, é uma democracia num estágio muito precário, pois num sentido mais amplo ela requer a alternância constante do poder, além de que num sentido mais elevado e profundo, a democracia é o "exercício do consenso"
O exercício do consenso é a consideração de que se você tem uma opinião diferente da minha, você não é meu inimigo, você é apenas alguém que pensa diferente de mim (a unanimidade é burra), numa sociedade plural.
O exercício do consenso é também o exercício da paz, que pode tanto ser aplicado na relação de embates políticos, como também no nosso relacionamento familiar, com amigos, no trabalho e outros.
No Brasil ainda temos uma democracia fragilizada, pois nosso estágio cultural se caracteriza pelo uso massivo da demagogia, do assistencialismo e do clientelismo, além do que, aqui principalmente na política se você tem uma opinião diferente da minha, você é meu inimigo (pois pode solapar meu poder).
O consenso pressupõe que através do diálogo os problemas serão melhor resolvidos.
Primeiro consensuando o que é comum em nossas posições, depois cada lado cedendo um pouco, para encontrarmos as melhores soluções.
Costumo dizer que nas relações humanas temos sempre que considerar que no eletrocardiograma a linha reta é a morte.
Assim como para termos vida no eletrocardiograma é necessário a oscilação, nos embates de relacionamento humano na democracia, também temos que ceder para atingirmos nossos objetivos.
O Fórum desenvolve Londrina aplica em seus estudos, desde seu início a 22 anos a metodologia da busca de resolvermos nossos problemas pelo exercício do consenso.
Tivéssemos no Brasil a grandeza política de resolvermos nossos problemas pelo exercício do consenso e certamente teríamos uma expectativa de um país melhor no futuro, ao invés desta visão rasa e medíocre de (esquerda, centro e direita), cujo objetivo é a formação de oligarquias para se manter e perpetuar no poder, como na máxima de Mario Sérgio Cortella: "a função maior do poder é servir, pois o poder que só se serve, não serve. "
No Brasil a busca pelo poder na sua grande maioria é para ser servido.
Quisera nossos representantes políticos se dedicassem a se debruçar na solução de nossos inúmeros problemas crônicos, com o espírito público de servir , utilizando a metodologia do consenso para solução dos grandes problemas nacionais como por exemplo:
- uma nova constituição ( exclusiva ) rediscutindo as funções, ações e limites dos poderes executivo, legislativo, judiciário e militar.
- Uma reforma profunda administrativa envolvendo os quatro poderes , estabelecendo limites para a hoje incontrolável sede de " privilégios adquiridos
- Um novo pacto federativo , no qual os estados e municípios sejam mais independentes da União tanto em ações como em arrecadação.
- Reforma permanente do sistema previdenciário
- Maior controle sobre os gastos assistenciais.
Entre outros
Meus amigos, o ambiente e atmosfera do boteco me levam a recusar a perder a fé e esperança num Brasil melhor, ainda mais depois de duas caipirinhas.
Claudio Tedeschi - leitor da folha


