CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA - A telefonia fixa vai acabar?
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quarta-feira, 06 de junho de 2007
Rodrigo Neppel<br>Editor 
Convergência. Essa parece ser a principal meta a ser atingida pelas empresas de tecnologia. Você pode até não saber do que se trata, mas já sentiu na pele os seus efeitos. Afinal, o seu celular acessa a internet? Convergência. Pela WEB, seu computador recebe sinais de televisão e de rádio? Convergência. Para descobrir o que as empresas de telecomunicações reservam aos usuários, a FOLHA ouviu o professor Mário Jorge Tavares, autor do livro ''Sercomtel - Marca de Pioneirismo''.
Para qual rumo segue a telefonia no Brasil?
A tendência é integrar, numa mesma plataforma, diferentes serviços multimídias. Já são palpáveis serviços de vídeo (TV paga), voz (telefonia) e dados (internet de banda larga) numa única infra-estrutura de telecomunicações: o chamado ''triple play''. Com a telefonia móvel 3G e WiMAX móvel, serão disponibilizados celulares de alta velocidade (de acesso à internet), abrindo caminho para o ''quadruple play''. Já existem equipamentos que permitirão a integração da telefonia fixa e móvel, como o HP iPaq HW, aparelho que reconhece quando o usuário está dentro de casa ou na rua e funciona como telefone fixo ou móvel. Esse serviço está sendo testado em Londrina.
A telefonia fixa vai acabar?
Acho que ela não vai acabar. Ela vai ter uma aplicação mais nobre. Se você exigir velocidade, largura de banda (capacidade de transmissão de dados) ou custo mais acessível, a telefonia fixa é imbatível.
A convergência tecnológica entra em nossas casas sem nem mesmo nos darmos conta. É o som e a imagem que acessamos pelos computadores, ou o telefone oferecido pelas operadoras de TV por assinatura. Como lidar com isso?
A convergência tecnológica gera uma dicotomia, um paradoxo até. De um lado os usuários buscam soluções integradas num único sistema, de outro lado os órgãos reguladores têm a obrigação de manter o equilíbrio do mercado, evitando subsídios cruzados e concentração do poder econômico. Existe uma necessidade de garantir a saudável competição, a subsistência de empresas de menor porte, de modo a não comprometer a qualidade dos serviços. Em tal ambiente, vale a máxima de Darwing: ''Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente, mas sim o que melhor se adapta às mudanças''. Para acompanhar toda essa evolução é necessário ter recursos.
Diante deste cenário, em que a disputa pelos novos serviços é feita por empresas de grande porte, com grande capacidade de investimento, o senhor é favorável à estadualização da Sercomtel?
Sim, desde que seja feita com cuidado. A Sercomtel possui ''expertise'' e outorgas para serviços de telecomunicações. Para que não seja asfixiada frente à acirrada e enorme concorrência, deve-se dar condições para que ela possa expandir sua área de atuação, sua vocação, com injeção de recursos, de modo a oferecer, com a competência e pioneirismo que sempre foi sua marca, melhores e diversificados serviços, crescimento e ganho de escala. Ou seja, deve-se dar condições à Sercomtel de lutar no mercado, com armas semelhantes à da concorrência. Por outro lado, a Copel possui recursos que permitem uma inigualável sinergia por dispor de uma interessante infra-estrutura de transporte e capilaridade por intermédio da sua rede de fibras ópticas. A união das duas empresas beneficiaria direta e indiretamente os clientes, além de aumentar o valor de ambas como operadora regional.
Quais cuidados devem ser tomados na estadualização?
Deve haver transparência na aplicação dos recursos que viriam com a aquisição parcial ou total das ações pela Copel; a sede da nova empresa deveria continuar em Londrina; a transição precisa ser conduzida por uma comissão de alto nível; também é necessário preservar o quadro de profissionais pelo menos por um prazo determinado, assim como igualar os benefícios dos funcionários da Copel e da Sercomtel.


