Convenção ou ''aparelho''?
Num momento de democracia intensa, como estamos vivendo, é chocante a forma como se fez a tal convenção do PSDB que indicou Beto Richa. Tinha todas as características de uma reunião clandestina, de um aparelho como aqueles do regime militar, com pouco mais de 10 pessoas, como se fosse o grupo dos 11 do Brizola, assumindo a responsabilidade de indicar um candidato ao governo. Era uma convenção política ou um encontro de carteado ou tranca?
Que grau de representatividade tem um candidato escolhido dessa forma, pior do que as adotadas no regime castrense que pelo menos fazia encontros com mais gente? Talvez autoconsciência do próprio tucanato de que o fato era de tal forma constrangedor que o único meio de expressá-lo teria semelhança com o sigilo e a conspiração, o temor e a vergonha.
Para completar a vergonheira o corte da figura mais representativa do partido, o deputado federal Luiz Carlos Hauly, sempre leal a FHC como uma de suas lideranças, da lista de candidatos em manobra que tudo tem de barganha e chantagem com o sentido de constrangê-lo a retirar as ações, pendentes na Justiça, contra a forma como se deu a tomada do diretório pelo grupo lernerista. E depois de todos esses rituais ainda querem sugerir que o seu candidato é a novidade. Nada disso: pelo que seus tutores aprontaram tivemos, na verdade, uma reencarnação do arenismo, do qual derivam muitos dos que hoje figuram na legenda, pelo menos seguramente a maioria.
BIZARRICE O PSTU se sentiu revitalizado com a convenção do PSDB: eles tomam, apesar de nanicos, decisões desse porte, a indicação de candidato ao governo, com um quorum bem mais expressivo.
AXIOMA Menor que o quorum do PSDB só o do Elias Maluco na favela do Rio.
GLOSA O corte de Luiz Carlos Hauly da lista de candidatos a deputado federal no PSDB lembra o beijo da máfia para designar o jurado de morte.
EPIGRAMA Requião sugere que há muita coincidência entre a decisão do STF que mandou processá-lo por crime eleitoral e a sua condição de candidato no PMDB à presidência. Pois semanas anteriores, muito antes disso, houve outra que o condenou a devolver o que recebeu quando prefeito da Capital a título de 13º.
FOLCLORE Quando decidiram produzir o filme King Kong consta que na busca a financiadores ouviram de um deles, depois de ler e reler o roteiro, que iria dar apoio à produção com uma condição: desde que cortassem o macaco. É o que se vai dar hoje no PFL em relação a Greca. Ele é, queiram ou não, a expressão do contraditório, da democracia, no evento que aliás vai ratificar uma decisão com traço oficial, mas, em termos de participação partidária, clandestino e sombrio como a tumba do Drácula.
CROMO Como ser cartesiano, Kátia, diante de uma rosa vermelha, apesar da sutil geometria nos rebordos de suas pétalas, no mistério das sépalas?
AFORÍSTICO Depois da festa de ontem no Madalosso e da de hoje com a convenção do PFL pode-se chamar aquele bairro-colônia de Santa Falsidade.
VINHETA O Brasil, no meio da turbulência do mercado, admite ser a Argentina amanhã. Desde, porém, e isso seria trágico, que não fosse no futebol.





