Os candidatos que disputam o governo do Paraná nestas eleições têm participado de incontáveis agendas em entidades de classe e no mundo acadêmico. A maratona quase inimaginável exige dos postulantes fôlego e um raciocínio com nexo acerca da realidade e das necessidades da população. Há pouco, coisa de duas ou três eleições anteriores, marquetólogos previam o fim do contato físico entre o candidato e o eleitor em função da otimização das ferramentas que as mídias passariam a oferecer neste início de século.
A tese era que a espetacularização, a forma, venceria o conteúdo dos programas governamentais. Mas a realidade tem mostrado que houve uma superação desse estágio ''narcotizante'' proveniente de truques e edições bem-feitas de imagens. Os que postulam o Palácio Iguaçu estão tendo que resgatar antigas formas de campanha, aquelas frente a frente e dos auditórios, onde o questionamento é realizado de imediato. Diferente do que ocorre no rádio e na televisão, embora sejam mídias importantíssimas para a difusão de idéias.
Faço esta pequena introdução para reforçar a impressão que tenho da participação cada vez maior na sociedade civil organizada em processos envolvendo o exercício da cidadania. O pontapé inicial a este momento alvissareiro que vivemos surgiu, no Paraná, no início do ano passado com a criação do Fórum Popular Contra a Venda da Copel. Na oportunidade, mais de 400 entidades mobilizaram os paranaenses em defesa da energética mais eficiente e rentável do Estado e do País.
Numa campanha memorável, 97% dos cidadãos fecharam questão em torno do patrimônio público. A bandeira contra a privatização da Copel hasteada pelos verdadeiros paranistas impôs uma primeira e inédita derrota aos governos estadual e federal e à política neoliberal. A unidade dos paranaenses deixou claro que é possível apostar em projetos maiores, de sobrepor os interesses estratégicos ao imediatismo conjuntural.
Dentro desse contexto, aproveitando as energias das forças vivas da sociedade, o CREA-PR elaborou, paralelamente, as linhas gerais de um projeto de desenvolvimento sustentável para o Paraná. Um estudo concreto sobre as potencialidades e as necessidades de crescimento econômico e social equânimes em todas as regiões do Estado.
Para tornar as diretrizes exequíveis, o CREA ganhou um importante parceiro: o Conselho Regional de Economia do Paraná (CORECON-PR). Travou o debate entre os profissionais e os principais candidatos ao governo - Alvaro Dias, Rubens Bueno, Giovani Gionédis, Padre Roque e Roberto Requião - durante uma semana. As sabatinas realizadas no CREA-PR fizeram com que as duas pontas (candidatos e profissionais) aprendessem um com o outro e, ao mesmo tempo, pautaram a discussão dentro de uma visão desenvolvimentista estratégica. Os paranaenses não aceitam mais um programa convencional de governo feito de promessas que podem ou não serem implementadas. O próximo governo estadual tem que possuir um planejamento de ações duradouro que vá além dos quatro anos de mandato, um ''Projeto de Estado'' pensado para os 20 anos vindouros.
Por isso o CREA-PR busca ampliar suas ações. Sempre com o intuito de promover a cidadania na plenitude, o Conselho vai organizar em parceria com a Associação Comercial do Paraná (ACP) o debate com os candidatos que irão ao 2º turno. Com uma mobilização jamais vista na história política paranaense, entidades de classe e Conselhos Profissionais se unirão na construção de um verdadeiro projeto de desenvolvimento do Paraná. E o que é mais importante: daremos passos significativos para implementarmos a curto prazo uma política de controle social das ações governamentais. Fato inédito no Paraná e no Brasil. Fato inédito a favor da cidadania.
LUIZ ANTONIO ROSSAFA é presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (CREA-PR)

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