Controlar gastos, sem deixar de consumir
Não gastar compulsivamente mas não deixar de consumir, e o comércio não elevar preços e nem juros do crediário. Estas são algumas fórmulas para enfrentar essa corrente negativa denominada crise financeira. Números levantados pela repórter Erika Zanon, deste Jornal, demonstram que a tendência é de o custo dos alimentos se estabilizar ou até baixar no Brasil. Passado um mês da eclosão do vendaval, não ocorreu nos supermercados uma elevação de preços, a não ser as variáveis comuns relativas a alguns produtos.
A recessão dos compradores estrangeiros estimula o agronegócio brasileiro a voltar-se para o mercado interno, e a maior oferta de produtos tende a favorecer o consumidor. Produtos dependentes de matéria-prima importada, como o trigo, podem subir, se o dólar se mantiver alto. No momento, o preço das carnes - que nos últimos tempos elevou-se nas gôndolas - encontra-se estabilizado, e o leite baixou ainda mais, como já vinha acontecendo desde três meses atrás.
O presidente regional da Associação Paranaense de Supermercados, Ademar Vedoato, afiança que não há movimentação da indústria alimentícia para reajustes para cima. Também os produtos hortifrutigranjeiros deverão permanecer estáveis, a menos que ocorram problemas climáticos. A recomendação continua sendo a mesma: gastar com moderação e não assumir dívidas além das posses - e este é um zelo que deve ser permanente. É oportuno lembrar que a crise nos Estados Unidos que aconteceu antes daquela de setembro, foi robustecida por inadimplências em financiamentos imobiliários. De sua vez, o presidente estadual da associação dos supermercadistas, Everton Muffato, também afirma que o setor alimentar não foi afetado no Brasil. Posição idêntica é da pesquisa denominada Intenção de Compras no Varejo, de São Paulo, pois prevê que o brasileiro não reduzirá compras nestes últimos meses do ano. São boas informações, que afastam temores.
Certo é que, diante de crises anunciadas mas que nem sempre se concretizam na dimensão do catastrofismo previsto, os setores produtivos e os consumidores se articulam e encontram soluções atenuadoras. Historicamente, foram grandes crises que geraram reformulações de sistemas e comportamentos e reordenaram os passos. Porque tudo o que o homem desestrutura - por ganância ou imprudência - ele próprio pode consertar. A moderação é boa conselheira em qualquer tempo, e a prudência, doravante, com certeza voltará a realinhar a economia.





