CONTROLANDO O MEDO - Síndrome do Pânico tem tratamento
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quinta-feira, 12 de julho de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
A família da diretora de escola pública Leonor Perez, que teve sua casa e seu carro incendiados, em Piraju (SP), no final de junho, tem, hoje, medo de sair de casa. Diagnóstico: Síndrome do Pânico. O cantor Lenny Kravitz, em sua vinda para um show ao Brasil, semana passada, fez uma série de exigências relativas à segurança. Diagnóstico: Síndrome do Pânico. Sem fazer distinção de idades, sexo ou classe social, o Transtorno do Pânico acomete, segundo estudos, de 2% a 4% da população mundial. Em entrevista à FOLHA, a psicóloga Fernanda Giglio Rossi salienta que, para a síndrome, tratamento há. E quanto antes, melhor.
Como se define a síndrome do pânico?
Caracteriza-se pela ocorrência repetida e inesperada de ataques de pânico. São episódios de medo com múltiplos sintomas físicos e psicológicos.
Hoje, fala-se como nunca na incidência da síndrome. Quais os fatores desencadeantes?
Não há um estímulo desencadeante. Os ataques acontecem do nada e se manifestam rapidamente até atingir um pico, em dez minutos. Passado esse pico, a pessoa relaxa novamente. A experiência de quem tem um ataque é aterrorizadora. Há a ansiedade, na expectativa de que algo assim possa acontecer novamente e, muitas vezes, que no próximo ataque não haja saída.
Diante disso, quais os sintomas?
São físicos e psicológicos. Entre os físicos, há as palpitações, sudorese, tremores, sensações de falta de ar, tontura e, entre outras manifestações, sensações de dormência ou formigamento. Os sintomas psicológicos manifestam-se com o medo de morrer, enlouquecer, de perder o controle e até o sentimento de ''irrealidade''. Como normalmente as pessoas não sabem do que se trata, em geral elas buscam os pronto-socorros.
Diz-se que 3/4 das pessoas que sofrem do transtorno não estão onde deveriam estar: no psiquiatra ou no psicólogo...
Exato. Normalmente a psiquiatria e os psicólogos são os últimos a serem procurados. Nos pronto-socorros, por exemplo, as pessoas são medicadas, mas sem um diagnóstico. Resultado: as crises prosseguem. Essas mesmas pessoas vão aos cardiologistas, submetendo-se a exames. Não se detecta nada, as crises se agravam e, só após essa peregrinação por todas as especialidades da medicina, o psiquiatra ou psicólogo entram em ação. Os pacientes que atendo vêm por indicação médica.
Qual a incidência?
Estima-se que o transtorno do pânico acometa de 2% a 4% da população mundial. Não existe uma faixa etária determinada, apesar de haver uma incidência maior na faixa etária acima dos 20 anos, sem fazer distinção de classes sociais. Outro dado: 35% dos familiares de primeiro grau de pacientes com a síndrome sofrem do mesmo problema. Os estudos mostram, também, que o transtorno é de quatro a dez vezes mais frequentes em membros de uma mesma família do que na população em geral.
Então, o transtorno é hereditário?
Não. Os estudos dizem que não há um gene específico para o transtorno. O que há é uma maior suscetibilidade para se desenvolver esse tipo de manifestação.
As pessoas estão mais conscientes em relação à existência do transtorno em si?
Sim, o transtorno do pânico está mais, digamos, ''popular''. A TV noticia, os jornais noticiam e, como muitos casos vêm sendo publicados, a população sabe do que se trata.
Qual o tratamento?
O tratamento mais eficaz consiste na associação da farmacoterapia com as terapias cognitiva e comportamental. O remédio trata o sintoma, reduzindo a ansiedade. A terapia cognitiva traz uma mudança em relação aos pensamentos e às crenças do paciente, modificando esses valores, e a comportamental tenta alterar as reações do paciente diante de situações associadas ao ataque.


