Contradições do ensino público paranaense
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de maio de 2003
Edimarães Silvestre 
Uma das manchetes da primeira página da Folha de Londrina do dia 13 de maio de 2003: ''Falta de livros prejudica alunos de escola estaduais''. A brilhante matéria, publicada no Caderno Cidade, afirma que a SEED/PR está tentando solucionar o problema. Cientes de que esse é apenas um dos inúmeros problemas da educação que veio à tona, seria interessante que os planejadores da educação paranaense tentassem solucionar outros problemas crônicos no setor.
A crise qualitativa pela qual passa a educação paranaense é sem precedentes. A qualidade da educação, porém, está atrelada a uma série de fatores organizacionais e estruturais nos níveis interno e externo que interferem diretamente na qualidade do ensino ofertado.
Na organização escolar temos o desmonte do currículo básico, as classes superlotadas, as turmas de aceleração de série, cuja qualidade é altamente duvidosa. O sistema público de ensino é representante da inclusão excludente. É nessa aparente contradição que reside a produtividade da escola improdutiva.
Afinal a escola é o simulacro da representação social na qual o sistema educativo público sempre atendeu aos interesses do capital. Atualmente a escola pública tem aulas de laboratório sem ter laboratório, tem bibliotecas sem acervos e é ampliadora da exclusão digital.
A violência social e estrutural também se apresentam na escola sob a forma de vandalismos, drogas, prostituição, brigas e badernas e desinteresse em aprender e desmotivação para ensinar. Tudo isso aliado aos baixíssimos salários dos profissionais da educação, desestimulam a permanência dos bons profissionais na área. A qualidade da educação pública está tão ruim que, se a situação não for invertida, ainda teremos alunos assinando diploma com o polegar.
O governo estadual acena com a realização de concurso para o magistério ofertando o reduzidíssimo salário de algo próximo dos R$ 400,00. Os candidatos às vagas afirmam que ''é melhor ganhar pouco do que não ganhar nada''.
Essa é a situação a que chegou a classe do magistério público estadual: contentar-se com mínimo, dando o máximo de retorno e ainda ser culpada por governo e sociedade pela má qualidade do ensino público.
Bons profissionais precisam ser valorizados. Afinal, o estereótipo do professor-sacerdote é uma blasfêmia à classe do magistério. Eles são profissionais da educação, não sacerdotes. Talvez até sejam adeptos da ordem franciscana, pois para ser professor de escola pública neste Estado é necessário que se faça voto de pobreza.
EDIMARÃES SILVESTRE é mestre em Educação e professor em São Jerônimo da Serra


