A escola de samba paulistana Tom Maior ainda nem mostrou seu desfile que homenageia, este ano, a centenária Foz do Iguaçu, e o samba-enredo já causou confusão na cidade do Oeste paranaense, um dos principais destinos turísticos do Brasil. Qual foi o motivo da revolta que levou vereadores a se manifestarem publicamente exigindo um pedido de desculpas da agremiação? O fato é que a Tom Maior não se limitou a passear pelas belezas naturais da região ou pela grandeza da usina de Itaipu, mas trata também da procissão de ‘’muambeiros’’ que diariamente cruza a Ponte da Amizade para fazer compras no Paraguai. Talvez, ‘’muambeiros’’ seja mesmo uma palavra carregada de sentido negativo para tratar a grande quantidade de sacoleiros que vêm de todo o Brasil para compras naquela localidade. Mas não se pode fechar os olhos para a realidade.
Quem conhece a movimentação policial na fronteira entre Brasil e Paraguai pode até pensar que a Tom Maior ‘’pegou leve’’. E se os integrantes da escola de samba decidissem descrever um dia de operação da Polícia Federal pelo Rio Iguaçu ou pelas estradas rurais da região à caça de contrabandistas de cigarros e traficantes de drogas? Provavelmente, o público assistiria no Anhembi a um desfile mais estilo ‘’Tropa de Elite’’ do que ao simpático espetáculo da querida ala das baianas.
Pois a reportagem da Folha de Londrina acompanhou uma operação policial na fronteira entre os dois países. A viagem aconteceu há poucos dias, quando o forte período de calor e seca fez a água do Rio Paraná cair a um nível bem baixo, facilitando a ação das quadrilhas que atuam em Guaíra e Foz do Iguaçu. Na reportagem principal de hoje, o jornal mostra o clima tenso da busca pelos bandidos que trazem produtos ilegais do Paraguai para o Brasil, principalmente cigarros e drogas.
Os problemas não se resumem à região de Foz do Iguaçu, mas a toda a fronteira entre o Brasil e o Paraguai. O problema é de grande complexidade. O trabalho da polícia está cada vez mais difícil porque enquanto o poder econômico das quadrilhas cresce, aumentando sua capacidade de comprar armas e pagar melhor seu exército de olheiros, não se tem notícia de investimento do governo brasileiro em repressão contra o tráfico na fronteira e também em melhoria do sistema público de tratamento a dependentes de drogas. Pelo contrário. Na última semana, o governo anunciou o corte de R$ 44 bilhões do orçamento da União para 2014. E uma dos setores mais afetados é justamente o da segurança.

mockup